Agnelo e a interlocução política



agnelo_queiroz_19Todo governo precisa de um interlocutor político. Agnelo Queiroz completou dois anos de governo batendo cabeça na área. Não encontrou ninguém que pudesse fazer o trabalho. Quem recebeu a atribuição mais atrapalhou do que ajudou. Parece que Agnelo encontrou o nome para assumir a função: o dele mesmo.

O ditado “se quer algo bem feito, faça você mesmo” está sendo adotado no Palácio do Buriti. A coalização que levou Agnelo ao poder é bem heterogênea. As divisões estão expostas, principalmente no PT. Ninguém se entende, seja por questões políticas ou econômicas.

O único que tem um bom diálogo com a totalidade dos partidos da base aliada, com os parlamentares e lideranças é o próprio governador. E é ele que deve conduzir a política. Uma interlocução bem feita é o caminho para sucesso eleitoral. É pavimentar 2014. E falar com o dono dos porcos é sempre melhor.

Agnelo vai precisar de jogo de cintura no momento de fazer acordos – e para cumprir esses acordos – e transparência ao discutir políticas públicas. O caso Cingapura, por exemplo, só virou caso porque faltou preparar o terreno. Se tivesse sido feito, receberia aplausos e não críticas.

O governo não pode ficar se explicando por qualquer bobagem. Isso é ruim para um governante. Deve se antecipar aos fatos. Evitar que se aconteça. Para isso, nada melhor do que a política de prevenção de danos. Qualquer ação deve ser estudada antes de lança-la.

O Buriti cometeu alguns erros na condução política. A criação, extinção e recriação da Casa Civil gerou problemas desnecessários. Acumulou poderes na Secretaria de Governo que nem o mais habilidoso homem público daria conta. Além de expôs divergências.

Também inverteu os papéis quando recriou a Casa Civil. É ela que deveria cuidar das relações institucionais, mas na verdade trata-se hoje de uma gerência de governo. Uma prefeitura dentro do Buriti. A Secretaria de Governo, que deveria lidar com o dia a dia da administração pública, ficou com a interlocução política. Poderia até dar certo. Mas não deu.

A política ficou relegada a segundo plano, enquanto as duas pastas brigavam por espaços no governo. E por mais poder. A máquina, que deveria andar em harmonia, viu-se em disputa de grupos políticos. E Agnelo, até meados de 2012, deixou correr frouxo.

Essa é a hora de evitar esse tipo de desgaste. Assumir a interlocução política não diminui nenhum governante. O efeito é positivo. Fortalece a liderança e dá a oportunidade de saber o que realmente acontece em seu governo.

Um assessor nesse papel, mesmo que muito próximo de Agnelo, fará o possível para esconder o que há de negativo. E isso é um desastre para o governo. Um governador não pode ficar sabendo dos problemas somente pela imprensa ou pela oposição. Dessa forma, não terá tempo para evita-los. Ou corrigi-los a tempo.

Política nada mais é do que a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o governo, noção essa dada por Nicolau Maquiavel, em O Príncipe. Então, que se faça a política. E que ganhe a sociedade com isso.

Fonte: Blog do Callado

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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