Ainda é cedo para a campanha, mas não é cedo para começar (II)

campanhaAlém de começar a elaboração do plano de governo (executivo) ou plano de ação legislativa, e a montagem das listas, o período atual é também apropriado para outras atividades.

Começar a organização da equipe de campanha

Não se trata ainda da montagem da equipe definitiva de campanha, nem tampouco de contratar profissionais especializados. A chave é o verbo começar. Há, certamente, algumas pessoas que podem ajudá-lo, nesta fase, a custo zero, e, com as quais você pode iniciar a sua preparação. Se você pretende ser candidato, ainda que pela primeira vez, é porque é sociável, sente-se bem no contato com as pessoas e por certo possui um círculo de relações amplo e diversificado. É dentre estas pessoas que você vai escolher o seu primeiro grupo de trabalho.

Esta é uma boa hora para começar a organizar sua equipe de campanha

Você vai valorizar, acima de tudo, nesta seleção, a confiança que deposita nelas, a experiência e a sensibilidade política e a qualificação pessoal para as tarefas. Destes critérios, o único que inspira preocupações é o que se refere à experiência, que só é útil numa campanha quando se fizer acompanhar de abertura mental e de sabedoria. A experiência dos que já viveram tudo, sabem tudo, passaram por tudo, e que, para cada fato atual, encontram um precedente no passado que os explica, não apenas não interessa como pode ser fatal.

Já a experiência entendida e vivida como um saber acumulado, aberto às novas realidades, disposto a continuar aprendendo e a aceitar as novas formas de fazer as mesmas coisas, é valiosa, não tem preço, e você vai descobrir isso sobretudo nos momentos difíceis. Estas pessoas vão se constituir no seu círculo mais próximo. Algumas delas farão parte da sua equipe de campanha, outras permanecerão com você como conselheiros ou especialistas, aos quais você poderá recorrer quando necessitar.

A equipe básica inicial deve reunir, além dos assessores políticos, um advogado, um contador, e um jornalista. Você deve também ter um coordenador de campanha, alguém que reúna capacidade política com capacidade organizacional. Neste período você vai testá-lo para saber se ele possui as condições de ocupar esta função na campanha. O advogado e o contador devem assessorá-lo nas suas respectivas áreas e não precisam participar das reuniões políticas. Para estas, você vai reunir seus assessores, seu coordenador de campanha, e o jornalista. Para as reuniões com especialistas nas áreas de governo (saúde, obras, educação etc) você vai designar um dos seus assessores políticos, além do coordenador e do jornalista. Com este grupo você começa a sua “campanha silenciosa”. Com ele, e as ramificações que dele podem ser extraídas, aquelas tarefas previstas para este período, assim como as discussões sobre táticas e estratégias, serão realizadas. Muita atenção. O que você busca neste grupo não é número e sim qualidade. O que importa é que sejam pessoas capazes, responsáveis, confiáveis, que tenham iniciativas e que saibam trabalhar em conjunto. Este grupo equivale ao motor de um carro. Deve possuir peças de qualidade, bem ajustadas entre si, e força suficiente para movimentar e impulsionar a estrutura.

Tendo recursos suficientes para pesquisar, de sempre prioridade a valores pessoais dos eleitores

Pesquisa

Pesquisa nunca é demais. Mas nesta fase não é indispensável. Com a eleição ainda afastada no tempo, os eleitores não sentem a necessidade de focar nela as suas atenções. Não apenas os eleitores, mas a mídia também está concentrada em outras pautas. Assim, a opinião do eleitor não possui, nesta fase, a cristalização suficiente para que se possa, confiadamente, conceber uma estratégia.

Se houver recursos suficientes para uma pesquisa, ela deve dar prioridade aos valores pessoais dos eleitores, em detrimento de suas opiniões. Deve ser concebida para medir sentimentos e atitudes mais permanentes, em detrimento do momento conjuntural.

Trata-se pois, de uma pesquisa de survey de maior profundidade, para a qual você vai necessitar de especialistas mais versados na ciência política, tanto para conceber seu questionário, como para interpretar os seus resultados. De qualquer forma, esta pesquisa, se for realizada, não é ainda a pesquisa de diagnóstico, que deve ser realizada num período mais próximo do início da campanha.

Levantamentos

Se a pesquisa não é indispensável para esta fase, levantamentos de problemas e prioridades dos bairros e da cidade, feitos junto aos moradores, podem ser realizados. Estes levantamentos, sob a forma de “varreduras”, são muito úteis. Desde logo porque os problemas e prioridades tendem a possuir permanência. Então, as informações colhidas nesta fase, continuarão válidas durante a campanha.

Além disso, é uma forma simpática de “começar a campanha neste período em que não há campanha”, ouvindo as pessoas; também é um modo sutil de descobrir apoios potenciais, lideranças locais, e de produção de lista; também, levantamentos deste tipo são baratos, costumam ser executados por jovens estudantes – filhos e amigos dos filhos do grupo inicial de apoio do candidato; finalmente, resulta num rol de problemas, localmente identificados, que vai alimentar a elaboração de projetos, o discurso de campanha e a publicidade da candidatura.

Poucas coisas “mexem” mais com o eleitor do que o candidato referir-se à realidade dele, aos seus problemas, referindo nomes de ruas, de pessoas e outros elementos que revelam um conhecimento que somente os “locais” possuem. Mas cuidado. Não confunda o levantamento com propaganda eleitoral, que ainda não pode ser feita.

Fonte: Política para Políticos

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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