Após 3 dias, HUB conserta máquina e volta a fazer radioterapia

hubUnidade ligada à Universidade de Brasília atende 48 pacientes por dia. Equipamento do Base segue quebrado; espera por sessão é de 120 dias.

O Hospital Universitário de Brasília retomou nesta sexta-feira (10) o atendimento de radioterapia depois que a única máquina da unidade passou por conserto. O equipamento quebrou na terça e, desde então, o procedimento estava suspenso. A unidade atende 48 pacientes por dia.

O hospital oferece tratamento para câncer há sete anos, quando a unidade de oncologia da instituição foi inaugurada e o acelerador linear foi adquirido. A unidade informou que o equipamento recebe manutenção periódica por empresa contratada via licitação pública.

A mãe da advogada Paula Gaston, de 31 anos, faz tratamento contra câncer de mama desde o ano passado. Após fazer cirurgia em julho, ela iniciou o tratamento de quimioterapia no HUB e depois de radioterapia. Paula contou que na terça-feira a mãe dela chegou no HUB e foi informada de que a máquina estava quebrada.

“Eles tentaram entrar em contato com a minha mãe para avisar, mas não conseguiram, e quando ela chegou lá eles explicaram o problema e disseram que iriam remarcar a radioterapia rápido”, disse.

“O HUB é ótimo. O problema é que minha mãe já veio do Base porque a máquina de lá está quebrada. Ela fez duas sessões no Base e o equipamento quebrou, daí mandaram ela para o HUB para suprir a deficiência do Base.”

Um dos equipamentos de radioterapia do Hospital de Base está quebrado há três meses. Apenas uma máquina de radioterapia está disponível em toda a rede pública de saúde do Distrito Federal. Com os problemas, pacientes tem de esperar até 120 dias para iniciar as sessões de radioterapia.

Segundo a Secretaria de Saúde, a fila para radioterapia tinha 540 pacientes nesta segunda-feira (7). No início de junho, 400 pessoas aguardavam o início do tratamento.

Convênios cancelados
O DF tinha convênios com os hospitais particulares Anchieta e Santa Lúcia para a realização do tratamento, mas os serviços foram suspensos.

Segundo a secretaria, o contrato com o Santa Lúcia foi cancelado em fevereiro. A pasta afirma que houve “discordância na tabela paga com valores SUS” e inadimplência do GDF no ano passado.

O contrato com o Anchieta tem vigência até 31 de outubro, mas os serviços de radiologia foram suspensos por causa dos atrasos no repasse do GDF, informou.

De acordo com a secretaria, há previsão de compra de dois novos aparelhos de radioterapia para 2017. Em 2018, o GDF espera inaugurar o Hospital do Câncer, que, segundo a pasta, contará com mais dois equipamentos de radioterapia, cirurgias oncológicas e quimioterapia para 2,5 mil pacientes por ano. As medidas apresentadas são previsões a longo prazo, que não alteram a atual situação de pacientes que aguardam uma vaga para tratamento.

As máquinas vivem quebrando, a tecnologia usada é muito ultrapassada, muito arcaica. Eles têm uma bomba de cobalto que em lugar nenhum do mundo é utilizada mais. A técnica de tratamento é muito ultrapassada, os efeitos colaterais e a toxicidade do tratamento são muito maiores e a eficiência é muito menor.” radioterapeuta

‘Más condições’
Servidores ouvidos pelo G1 relataram que os dois equipamentos restantes estão em más condições de uso. Eles afirmam que as máquinas são ultrapassadas. Um radioterapeuta que preferiu não se identificar disse ter pedido exoneração do cargo no Hospital de Base por causa das condições de trabalho na unidade.

“As máquinas vivem quebrando, a tecnologia usada é muito ultrapassada, muito arcaica. Eles têm uma bomba de cobalto que em lugar nenhum do mundo é utilizada mais. A técnica de tratamento é muito ultrapassada, os efeitos colaterais e a toxicidade do tratamento são muito maiores e a eficiência é muito menor.”

Ele explicou que há casos de câncer em que o paciente não pode esperar para o início do tratamento de radioterapia. De acordo com o radioterapeuta, pessoas com cânceres menos invasivos podem aguardar até três meses para começar uma radioterapia, mas que ficam mais agressivos com interrupções no tratamento.

“A gente vê paciente se tratando naquelas condições, com efeitos colaterais que poderiam ser evitados, as máquinas param e o governo não se manifesta. Radioterapia é um tratamento que deve ser contínuo e não dá para o paciente ficar nessas interrupções.”

Fonte: G1 DF

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