Após manifestações, governo amplia defesa do ajuste fiscal

apos-manifestacoes-governo-amplia-defesa-do-ajuste-fiscalPressionado pelas manifestações de domingo (15) em todo o país, que tornam sua situação política mais complicada, o governo saiu a campo nesta segunda(16) defendendo o ajuste fiscal e a necessidade de o Congresso e a sociedade darem respaldo ao aperto nas contas públicas. Dois ministros e a própria presidente Dilma Rousseff deram declarações firmes em defesa da nova fase da política de arrecadação e gastos do governo e colocaram essa estratégia como condição essencial para a retomada do crescimento econômico.

Em solenidade no Palácio do Planalto, Dilma ensaiou um mea culpa e disse que pode ter exagerado na dose na política anticíclica (que tenta por meio de estímulos, como redução de impostos e aumento de gastos, acelerar a economia) em seu primeiro mandato. Esse reconhecimento não pode ser ignorado, dado que no mundo político, admitir erros, mesmo que apenas de dosagem e não de estratégias, são incomuns.

Dilma defendeu sua estratégia de proteger a economia, sobretudo os trabalhadores, da crise internacional, mitigando seus impactos com a política anticíclica. Mas, ao admitir a discussão sobre a dosagem implementada, ou seja, ao ter aberto a possibilidade de reconhecer que de alguma forma errou, ela tenta passar um sinal de certa humildade, dialogando com os setores insatisfeitos com o seu governo na condução da economia.

A esse momento “sandálias da humildade”, Dilma acoplou o discurso sobre a necessidade de ajuste fiscal, que corrigiria os supostos excessos cometidos no passado e abriria o caminho para um novo ciclo de crescimento e prosperidade.

O ministro Guilherme Afif Domingos (Secretaria da Micro e Pequena Empresa) fez uma vinculação direta entre as manifestações e a necessidade de apoio ao ajuste fiscal. Ele disse que as ruas pedem mudança e que, na economia, isso passa pelo aperto do cinto governamental. É de se destacar que um ministro de uma área fim, que normalmente clamaria por mais gastos e mais renúncia fiscal, faça uma defesa veemente do ajuste fiscal.

Por fim, e nesse caso mais do que esperado, o ministro Joaquim Levy (Fazenda), sem citar as manifestações, deu sequência ao seu esforço de defesa do ajuste e ressaltou seu papel como alavanca de um novo ciclo de crescimento que viria da retomada da confiança dos empresários, investidores e consumidores. Levy chegou a dizer que o aperto fiscal ocorre por conta do baixo crescimento, e não o contrário.

Ainda nessa ofensiva, Levy, junto com os ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Carlos Gabas (Previdência) se reuniram no início da noite desta segunda com a bancada do PT na Câmara dos Deputados para um jantar em cujo cardápio estão as medidas que alteram as regras do seguro-desemprego, do abono e do acesso a benefícios previdenciários, como pensão por morte.

Embora esteja fora da pauta fiscal, é bom lembrar também que nesta terça, 17, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) também se reunirá com a bancada petista, dentro do esforço de melhorar a interlocução do governo com o Congresso após as manifestações do último domingo. Vale lembrar que foi Cardozo o responsável por colocar para o país a visão do governo sobre os protestos.

Fonte: Fato Online

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