As perguntas do questionário: regras de formulação II

pesquisa eleitoralNa primeira parte deste texto analisamos mais detidamente a questão das diferenças existentes entre a pergunta dicotômica e a de alternativas graduadas.

Como foi dito no artigo anterior, ao formular a pergunta deve-se ter em mente as alternativas possíveis de resposta. Portanto, a natureza da questão que desejamos conhecer determina a forma da pergunta.

A natureza da questão que desejamos conhecer determina qual será a forma da pergunta.

Se a questão somente admite duas respostas que são mutuamente exclusivas, a formulação deverá ser dicotômica. Se, por outro lado, a questão admite respostas que variam numa escala de mais a menos, a formulação deverá ser feita com alternativas graduadas, tantas quantas forem as possibilidades mais freqüentes de escolha.

Perguntas fechadas e abertas

Normalmente, a maioria das perguntas de um questionário são “fechadas”. Perguntas fechadas são aquelas em que todas as possibilidades de resposta são oferecidas ao entrevistado. Em outras palavras, o elenco de alternativas é limitado e o entrevistado deverá enquadrar-se em uma delas ou optar por não responder, ou ainda declarar que “Não Sabe”.

Perguntas abertas, por outro lado, são aquelas em que, não sendo oferecidas as alternativas de resposta, feita a pergunta, o entrevistado dá livremente a sua resposta, que é transcrita pelo entrevistador.

Em tese, comparando-se as duas, sempre seria preferível trabalhar com perguntas abertas. Elas permitem ao entrevistado expressar seu pensamento de maneira absolutamente livre, com suas próprias palavras. Portanto, elas sempre serão mais fiéis ao que o entrevistado pensa e sente. Em tese porque no mundo real de uma campanha eleitoral esta possibilidade praticamente não existe. O problema reside no fato de que as informações assim produzidas não podem ser aproveitadas sem um prévio, embora longo e complexo, trabalho de processamento.

A pergunta sendo aberta, em princípio, cada entrevistado pode dar uma resposta diferente à mesma questão, diferente não apenas na orientação (positiva/negativa por exemplo), mas diferente nas palavras e termos que usa. Será necessário, então, reduzir cada uma das respostas na sua “forma bruta”, a categorias mais gerais, dentro das quais o analista tomará a decisão de enquadrar uma a uma.

Em outras palavras, as alternativas de resposta serão construídas a partir da massa de declarações feitas pelos entrevistados. Não apenas aumenta-se em muito o custo da pesquisa, como o tempo de seu processamento, e, o que é mais grave ainda, o risco de “erro não amostral” implícito no poder dado ao analista para situar a “resposta bruta” dentro das categorias gerais que ele cria.

Por estas razões, em pesquisas eleitorais usam-se poucas, muito poucas perguntas abertas. Esta situação novamente remete o problema à competência de quem elabora o questionário, para fazer perguntas fechadas que contenham as principais alternativas de resposta possíveis. Ao formular uma pergunta fechada deve-se ter esta certeza.

Há duas formas de acautelar-se contra o risco de formular alternativas de resposta que não correspondam aos sentimentos e opiniões dos eleitores: o pré-teste do questionário e o uso da pergunta semi-aberta.

O pré-teste e a pergunta semi-aberta

O pré-teste é o procedimento de aplicar o questionário a uma amostra pequena de entrevistados

O pré-teste, como o nome já indica, é o procedimento de aplicar o questionário a uma amostra pequena de entrevistados, com o objetivo de avaliar se as formulações foram entendidas, se as alternativas de resposta correspondem aos principais sentimentos e opiniões, permitindo assim, num breve espaço de tempo, produzir as correções necessárias.

Em campanhas eleitorais, nem sempre haverá a possibilidade de proceder desta forma. O responsável da pesquisa, sendo uma pessoa experiente e informada sobre o contexto político da eleição, poderá, sem maiores riscos, dispensar este procedimento.

A pergunta semi-aberta funciona como uma válvula de segurança. Naquelas questões em que o pesquisador não se sente seguro de que as alternativas oferecidas cobrem adequadamente as respostas mais freqüentes, ele pode incluir, ao final do elenco de alternativas, a possibilidade residual “outra”. Isto é, se o respondente não se enquadrou em nenhuma das alternativas oferecidas, resta-lhe ainda a possibilidade de escolher a alternativa “outra” e dizê-la, com suas próprias palavras.

A alternativa de resposta “outra” é a incorporação da possibilidade de manter a pergunta aberta, para os que não se sentiram representados nas alternativas oferecidas.

A vantagem está no fato de que se evita perder informações, sem que os problemas operacionais da pergunta aberta tornem-se muito onerosos. Nestes casos, somente algumas perguntas terão esta possibilidade, e, mesmo nestas, a maioria dos respondentes deverá se acomodar nas alternativas oferecidas. Assim, os problemas operacionais ficam circunscritos a poucas perguntas e poucos casos.

Fonte: Política para políticos

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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