Cláudio Abrantes é o novo integrante do partido da ex-senadora Marina

20150929004135A Rede chegou forte no Distrito Federal. Mas os recém desembarcados do PT garantem que o partido não nasce de cabeça baixa para o Palácio do Buriti. Os deputados Cláudio Abrantes e Chico Leite dizem que a posição é de independência política. Nesse sentindo, falam em um posicionamento de questionar o pacote fiscal do governo Rollemberg, especialmente em relação aos aumentos de tributos.

Abrantes anunciou ontem a filiação ao novo partido da ex-senadora Marina Silva. “Eu digo com clareza e franqueza, o alinhamento não é automático”, afirmou o parlamentar.

Defendendo a construção de alternativas mais ousadas e progressistas para a solução da crise financeira do GDF, Abrantes questiona a fórmula governista de arrojo tributário. “Eu tenho muitas dificuldades com o aumento de impostos. A gente continua estudando isso dentro da bancada. Nesta terça-feira (hoje), talvez a gente tenha a primeira tentativa de votação. Mas eu não concordo com o aumento para a população. Isso é muito difícil”, declarou o distrital.

“A Rede tem compromisso com a população e com as causas que defende. A Rede não acha que o apoio seja submissão, bajulação, relação com mesinha de poder. A Rede compreende que ajuda como quem faz críticas, sugere alternativas, quem participa do debate com responsabilidade. A Rede tem projeto para o País e para o DF. Chegamos com independência”, afirmou Chico Leite.

Fusões não

Abrantes também mantém as ressalvas em relação às propostas de fusão de secretarias e pretende defender os espaços e pautas de interesse da Rede.

Para o parlamentar, as pastas de Meio Ambiente, Agricultura e Cultura devem continuar independentes. Detalhe: a primeira é gerenciada por André Lima, um dos nomes fortes da Rede no DF e nacionalmente. A segunda tem a atenção do deputado Joe Valle (PDT), cotado para ingressar na Rede em breve. “Acho que você pode reduzir, sem fazer um aglomerado. Esse não é o melhor caminho. Tem que haver a pertinência temática entre as pastas”, concluiu.

Somando a deputada Luzia de Paula que também se filiou no partido, a Rede chegou à três parlamentares se equiparando com as bancadas do PT e do PMDB.

Joe Valle ainda não conseguiu se decidir

O deputado distrital Joe Valle (PDT) sinalizou que pode realmente migrar para a Rede. “O grande problema do Brasil é a governança. Se eu for, e tenho muitas chances de ir, porquê estou lá desde o começo, é para discutir a questão programática. Não é para falar sobre tamanho de partido, cargo e a ocupação de espaço”, comentou.

O martelo ainda não está batido. A relação de Joe com o PDT tem sido positiva para ambas as partes, apesar do fato de que quando ele abandonou o PSB, em 2013, planejando se filiar na Rede, caso a Justiça Eleitoral tivesse validado a nova agremiação em 2014.

“O mandato não é meu. Estou consultando todos os coletivos que colaboram com o mandato. O PDT é um partido com excelentes parlamentares e tenho excelente convivência”, ponderou. De fato, o partido tem apoiado vários dos projetos de Joe. “Apesar que da Rede eu tenho o DNA”, argumentou.

Enquanto Valle ainda decide qual será seu futuro, as saídas de Chico Leite e Cláudio Abrantes incomodaram  o  PT. “Lamentamos. Foi um desrespeito à militância do partido que ajudou a eleger ambos”, disparou o presidente regional do PT, Roberto Policarpo. A desfiliação de Luzia de Paula também não repercutiu nada bem no PEN.

Sem assédio

1-  Marina Silva afirmou que a legenda não fará “assédio” para buscar grande número de filiados. Segundo ela, a sigla buscará “qualidade ao invés de quantidade”. “Não vamos ser engolidos pela tentação de ter uma bancada com um número X ou Y por causa de tempo de TV, por causa de fundo partidário ou porque estamos pensando nas próximas ou futuras eleições”, disse.

2- Marina refutou ainda a ideia de que a Rede é baseada em sua imagem e disse  que o legenda será baseada em uma estrutura horizontalizada.

Ponto de vista

O Palácio do Buriti buscará uma nova base parlamentar na Câmara Legislativa, em função da chegada da Rede no DF. Segundo o secretário de Relações Institucionais, Marcos Dantas, o novo partido abre a porta para um novo balanço de forças e composições entre Executivo e Legislativo. Atualmente, a base do governo está bem aquém das necessidades e agendas de Rollemberg. “É um momento de recomposição do cenário político”, argumentou o secretário. Nesse sentindo, Dantas não esconde a expetativa do Buriti de conseguir apoio ao pacote fiscal. “Esperamos cooperação e colaboração. Quero dizer que aqui não tem cabresto. Mas a Rede é sabedora das dificuldades que passamos”, ponderou Dantas.

Fonte: Jornal de Brasília

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