Decisões que não decidem

campanhaA campanha se movimenta com escolhas frente a alternativas diferentes.

A campanha eleitoral, como qualquer empreendimento que envolve muitas pessoas e se desdobra no tempo, com vistas a realizar um objetivo comum a elas, avança pontuada por decisões estratégicas.

As decisões em uma campanha implicam escolhas frente a alternativas diferentes.

É mediante decisões, que implicam escolhas frente a alternativas diferentes, que a campanha se movimenta, e assume a sua identidade perante os eleitores.

A própria campanha começa com a primeira decisão que é a de concorrer à eleição. A partir desta decisão primordial, segue-se uma verdadeira multidão de decisões, em relação a pessoas ou coisas; de curto, médio e longo prazo, e de grande ou pequena importância. Estas decisões, por outro lado, serão tomadas pelo candidato ou por pessoas de sua confiança, e cada campanha possui seu próprio sistema de tomada de decisão.

Algumas campanhas centralizam todas as decisões nas mãos do candidato, outras as descentralizam mais ou menos; em algumas existem órgãos deliberativos e consultivos para diferentes matérias, outras adotam a informalidade, reunindo pessoas para deliberar sem dar origem a um órgão interno. A variedade de situações, como se vê, é enorme, mas, em qualquer campanha, decisões são tomadas a todo o momento, e, da qualidade delas depende o sucesso da empreitada eleitoral.

Não vamos aqui analisar o aspecto substantivo das decisões, isto é, o seu acerto, a sua adequação aos problemas que a suscitam, e sim do seu aspecto processual. Existem condições para a tomada de decisão quando, diante de um problema determinado, há alternativas entre as quais escolher. Em conseqüência, a primeira providência a ser adotada é a de definir o problema: atribuir-lhe sua verdadeira dimensão (nem superestimá-lo, nem subestimá-lo); situá-lo no tempo (curto, médio ou longo prazo); reunir as informações necessárias para enfrentá-lo, e decidir quais os auxiliares que participarão das discussões.

A segunda providência, já adotadas as primeiras medidas, é a identificação das alternativas existentes. Só se pode falar em tomar decisões quando há alternativas entre as quais escolher. A identificação das alternativas é um passo fundamental para uma decisão acertada. Alternativas devem ser realistas, isto é, devem ser viáveis e adequadas para enfrentar o problema. Há que se cuidar muito para evitar alternativas que parecem excelentes, mas que são de execução muito difícil, e que dependem de fatores que estão fora do controle do candidato. As alternativas devem estar sob controle da campanha, isto é, uma vez adotadas podem ser implantadas inteiramente, sem depender de fatores estranhos a ela. Diante de alternativas desta natureza há condições para tomar uma decisão racional, que signifique uma resposta da candidatura ao problema. Como se observa, estamos tratando decisões estratégicas como matérias que demandam decisões frias, objetivas e racionais. Esta é a única forma correta de enfrentar os problemas que surgem, dando lhes solução. Isto não significa que muitas vezes (talvez próximo da maioria dos casos) as decisões são tomadas sem esta cautela. É muito comum em campanhas que as decisões mais importantes sejam tomadas de maneira emocional, irrefletida e no impulso, determinado por um sentimento muito forte do candidato.

É comum em campanhas que as decisões mais importantes sejam tomadas de forma apressada

Invariavelmente, decisões tomadas desta forma produzem o efeito inverso: ao invés de resolver o problema, o agravam. O mesmo ocorre quando as melhores alternativas de solução são excluídas pelo candidato liminarmente, por razões igualmente emocionais. Problemas que surgem na campanha devem ser resolvidos com rapidez, mas com segurança e racionalidade. Problemas geralmente exigem que o candidato “corte na própria carne”, isto é, tenha que abrir mão de algo que ele valoriza para resolvê-lo. Em geral, não há saída fácil e confortável. O candidato deve então estar preparado para sacrificar algo em troca do encaminhamento da solução.

Normalmente, os assessores sabem disso desde o início, mas precisam gastar muito tempo para convencer o candidato (quando o conseguem). É este tempo perdido que faz com que uma campanha possa perder o seu rumo, e vir a ser pautada pelos adversários. Mas há algo mais que não foi referido ainda. Se este processo de tomada de decisão já é, em si mesmo, complicado, ele de nada adianta se não for efetivamente implantado. Esta é a situação a que se refere o título desta coluna: decisões que não decidem. Não basta a decisão como manifestação de vontade, como escolha de uma alternativa. É indispensável que à decisão corresponda uma imediata adoção de ações que a tornem realidade.

Como foi dito antes, uma campanha toma muitas decisões, mas há que avaliar quantas delas são efetivamente executadas. Decisões devem resultar em ações. Decisões que não decidem, isto é, que não se traduzem em ações, desmoralizam quem as toma. Para que elas ocorram há que definir quem por elas se responsabiliza, qual o conteúdo exato desta responsabilidade, qual o momento e prazo para executá-la, quais os meios e recursos que precisam estar disponibilizados para sua efetivação.

Decisão correta não é apenas aquela que racionalmente é a mais adequada, e sim aquela que, além deste atributo, consegue ser efetivamente posta em prática, com a eficiência e timing necessários.

Fonte: Política para Políticos

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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