Desconstrução derrubou Aécio


aecio-nevesApresentação, propostas, desconstrução do adversário. Geralmente, as campanhas eleitorais seguem esse roteiro, explica o presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop), Carlos Manhanelli. Na eleição presidencial, entretanto, o terceiro ponto ganhou maior destaque.

O investimento no eleitorado do Rio de Janeiro e principalmente de Minas Gerais não foi suficiente para o senador Aécio Neves (PSDB) contornar o favoritismo do PT de Dilma Rousseff, ressalta Manhanelli.

Como não só de estratégia geográfica se faz uma campanha presidencial, a desconstrução do tucano pela petista foi alcançada com uma boa estratégia de marketing, apontam analistas ouvidos por OTEMPO.

“Aécio não poderia perder em Minas Gerais. Eu penso que ele era atacado por Dilma e respondia de maneira arrogante. Parecia estar sofrendo de complexo de Luís XIV, que dizia ‘o Estado sou eu’. Só faltou ele dizer ‘Minas sou eu’”, analisa o cientista político Pedro Costa Júnior, das Faculdades Integradas Rio Branco.

Grande parte do eleitorado indeciso, composto por mulheres, pode ter sido desmotivada a votar em Aécio. A campanha de Dilma associou o dedo em riste do tucano em debates para a candidata do PSOL, Luciana Genro, e para a própria Dilma, como sinal de que o senador não respeitaria as mulheres.

“Na verdade, todo elemento usado para associar Aécio a problema ligado a mulheres foi para valorizar a própria Dilma. Depois do debate em que ela passou mal, houve a impressão de que Aécio teria ultrapassado o limite da agressividade. E a vítima não era simplesmente uma vítima. Era uma mulher”, avalia o estrategista político do Rio Grande do Sul Paulo Di Vicenzi.

Outro aspecto que prejudicou Aécio na conquista de indecisos e indecisas foi o uso de linguagem de difícil entendimento para grande massa de eleitores. “Cerca de 70% dos eleitores não têm ensino médio completo. Ele dizia ‘previsibilidade’ e deveria ter trocado por: ‘o governo precisa ter ações mais previsíveis’, por exemplo”.

O analista gaúcho lembra que, para tentar neutralizar a estratégia petista de colocar o adversário como inimigo das mulheres, Aécio usou os recursos de que dispunha. Aparecia em coletivas para jornalistas ao lado da filha Gabriela ou da esposa, Letícia Weber.

A imprevisibilidade da disputa, com uma surpreendente polarização de Dilma com Marina Silva (PSB) durante o primeiro turno, dificultou a estratégia de Aécio. Ele não contava com a necessidade de precisar desconstruir Marina, ainda que de forma mais leve que o PT, lembra Di Vicenzi.

O uso da palavra “leviana” para rebater críticas de Dilma em debates pode ter criado um clima de antipatia nas eleitoras. “Soou como uma guerra de gêneros. As mulheres se sentiram ofendidas. Ele (Aécio) carregou demais na verborragia e acabou se excedendo”, observa o consultor político do Piauí Raimundo Filho.

Outro aspecto que influenciou nos votos estava relacionado ao Bolsa Família. Enquanto eleitores de Aécio bradavam pelas redes sociais críticas ao programa, o tucano quis trazer para seu partido a paternidade do benefício. Antigo crítico, o presidenciável passou a não só defender sua permanência, em uma eventual gestão, como sua ampliação, aprimoramento.

Fonte: O Tempo

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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