Descubra as razões do resultado eleitoral

Não importa se você ganhou ou perdeu assim que tiver tempo disponível e condição psicológica adequada reflita sobre a sua campanha eleitoral.

A primeira tarefa que você deve se propor, tão logo tenha tempo disponível e condição psicológica adequada para refletir sobre a campanha eleitoral, é descobrir as razões do resultado da eleição.

Ganhando ou perdendo, reflita

Tendo ganhado, você deverá fazer esta reflexão de imediato, ainda que corra o risco de fazê-la de maneira incompleta. Não importa, o ótimo é inimigo do bom, e você precisa desta análise para orientar suas decisões iniciais, como governante ou legislador. Se você não se elegeu, terá mais tempo, mas não muito mais, porque quanto mais postergar esta providência, menor a probabilidade de que venha a fazê-la.

Em qualquer das duas situações, a reflexão para descobrir as razões do resultado eleitoral – favorável ou desfavorável – é uma medida absolutamente indispensável para a campanha permanente que você pretenda organizar. Ela é o ponto de partida, o marco-zero da sua campanha permanente. Focalizado na resposta da pergunta básica: “Quais as razões da vitória/derrota?”, o documento deve extrair ensinamentos daquela experiência eleitoral, que possam ser aproveitados nas próximas eleições.

Embora seja um documento útil para registrar os acertos e as ações e medidas que funcionaram, a grande vantagem dele está na identificação dos erros. Qualquer campanha, inclusive a vitoriosa, comete erros. Há erros de menor importância, que não afetam o desfecho da campanha, e há erros de maior gravidade, que podem inviabilizar uma candidatura. É sobre estes últimos que você deve se concentrar ao analisar a campanha passada. Seria impossível arrolar todos os tipos de erros deste tipo. Eles variam de campanha a campanha, de candidato a candidato.

Erros frequentes e com efeitos desastrosos
que podem ser considerados universais
1. Promessa não cumprida
2. Declaração comprometedora
3. Acusação grave não respondida

Se você incidiu num deles na eleição passada não pode enfrentar a próxima sem antes encontrar uma forma de corrigi-lo. Esta é uma tarefa prioritária na agenda da campanha permanente. Não é fácil lidar com estas falhas. Há candidatos que as evitam a ponto de fazer de conta que elas não existem. Cria-se, inclusive, um clima de constrangimento entre os auxiliares para falar sobre elas. O candidato reage mal quando o assunto é suscitado, seja descaracterizando a sua importância, seja perturbando-se e tratando-as de maneira muito emocional. O resultado é que a falha não é enfrentada e não se busca uma solução para ela que restabeleça o laço de confiança com o eleitor. O candidato entra na próxima eleição na ingênua suposição de que o assunto já foi esquecido, ou perdeu importância, para descobrir, tarde demais, que elas não somente não foram esquecidas como continuam com a capacidade de destruir a sua candidatura.

Falhas com relação ao caráter de um candidato jamais serão esquecidas

Não se iluda com o fato de que o assunto não será suscitado no período entre eleições. Por razões de óbvia prudência política, esta é uma matéria que seus adversários vão deixar para explorar no momento certo: durante a campanha eleitoral. Falhas, deficiências que se refiram ao caráter de um candidato, nunca são esquecidas. Elas “grudam” na imagem. Cada eleitor guarda dentro de si a lembrança vaga dela, como se fora um “chip” de computador que estivesse inativo. Começada a campanha os adversários, ao levantarem aquelas acusações, reativam os “chips” e os eleitores recuperam a lembrança, percebem que as dúvidas e indagações continuam sem resposta e desenvolvem resistências, quando não rejeição ao candidato.

Se você carrega uma questão desta natureza, que não foi bem resolvida na última eleição, a primeira tarefa da sua campanha permanente então será buscar os elementos necessários para que você possa, no momento certo, dar uma explicação convincente e definitiva sobre a matéria.

Fonte: Política para Políticos

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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