Dívida pública dispara em 2015 e atinge R$ 2,79 trilhões

divida-publica-dispara-em-2015-e-atinge-r-2-79-trilhoesAlta da dívida pública foi bem mais intensa do que em anos anteriores. Elevação da taxa básica de juros (Selic) explica elevação do endividamento e da maior participação de papeis atrelados à taxa de juros na dívida total.

A Dívida Pública Federal disparou em 2015 e atingiu R$ 2,79 trilhões em 2015 ante R$ 2,29 trilhões do final de 2014, uma alta de 21,7% em 12 meses, ou R$ 556 bilhões. Esse volume está bem acima da média dos anos anteriores. No intervalo entre os anos de 2013 e 2014, a alta foi de R$ 173 bilhões e entre 2012 e 2013, foi de R$ 115 bilhões. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (25) pela Secretaria do Tesouro Nacional.

Refletindo a alta da taxa de juros básica da economia, a Selic, ao longo de 2015, o volume de papéis da dívida pública atrelados à taxa de juros passou de 18,7% do total da dívida em dezembro de 2014 para 22,8% no mesmo período de 2015. Já os títulos prefixados e os que usam como referência a inflação tiveram seu total reduzido, de 41,6% para 39,4% e 34,9% para 32,5%, respectivamente.

De acordo com o coordenador da Dívida Pública, José Franco, o aumento no volume dos papéis vinculados à Selic foi uma resposta a um aumento na demanda por esses papéis no ano passado. “Houve uma forte oferta de LFT [papéis vinculados à Selic] por volta de março e depois no mês de setembro houve uma maior volatilidade [dos mercados] e o Tesouro decidiu aumentar a oferta de LFT para atenuar os efeitos da volatilidade”, explicou Franco.


Foto: Arte: Hilal Khaled/Fato Online

Outro destaque foi o aumento no volume de estrangeiros que detém títulos da dívida brasileira. No final de 2014, eles representavam 18,6% do total de investidores e passaram a 18,8%. Já os fundos de previdência passaram de 17,1% para 21,4%. As instituições financeiras e fundos de investimento viram as suas participações caírem de 29,8% para 25% e de 20,3% para 19,6%, respectivamente. Outro movimento registrado ao longo do ano passado foi um aumento no prazo médio de vencimento da dívida, que passou de 4,4 anos para 4,6.

Pelas metas estabelecidas dentro do PAF (Plano Anual de Financiamento) do ano passado o endividamento do país ficou dentro das previsões do Tesouro, que esperava que o débito ficasse no intervalo entre R$ 2,65 trilhões e R$ 2,8 trilhões.  Essa meta, no entanto, foi alterada ao longo do ano. O Tesouro Nacional anunciou, em janeiro, que o PAF seria entre R$ 2,45 trilhões e R$ 2,60 trilhões. Em agosto, porém, cientes de que a dívida extrapolaria o que fora inicialmente planejado, essa meta foi elevada.

PAF

Para este ano, o Tesouro Nacional espera uma nova disparada do estoque, acima dos anos anteriores e em padrão semelhante ao registrado no ano de 2015. O PAF de 2016, também divulgado nesta segunda-feira, conta com uma elevação da dívida pública até um limite entre R$ 3,1 trilhões e R$ 3,3 trilhões.

A expectativa também aponta para uma queda no volume total de títulos prefixados, considerados os mais interessantes para o planejamento da dívida pelo Tesouro Nacional, já que o volume de pagamento está estabelecido no ato da compra. Dos atuais 39,4%, o governo espera terminar o ano com eles representando entre 31% e 35%. Com as taxas de juros no atual patamar de 14,25% ao ano, o volume desses títulos no total da dívida deve passar dos atuais 22,8% para algo entre 30% e 34%. Os títulos indexados aos índices de preços, por outro lado, não devem variar muito, passando dos atuais 32,5% para algo entre 29% e 33%.

Dezembro

O último mês do ano registrou uma emissão líquida de títulos da dívida pública de R$ 42,75 bilhões – uma elevação de 2,8% na comparação com o mês de novembro. “Esta variação deveu-se à emissão líquida, no valor de R$ 42,75 bilhões, e à apropriação positiva de juros, no valor de R$ 33,33 bilhões”, explicou o Tesouro em nota.

Fonte: Fato Online

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your name here

*

code

Please enter your comment!