Eles querem desbancar Agnelo Queiroz do Palácio do Buriti

brasilia.qxdSe as eleições fossem realizadas neste ano, provavelmente os competidores do governador Agnelo Queiroz seriam no mínimo sete: Luiz Pitiman (PMDB, Rodrigo Rollemberg (PSB), Gim Argello (PTB), Tadeu Filippelli (PMDB), Izalci Lucas (PSDB), Alberto Fraga (DEM) e Rogério Rosso (PSD). Com poucas exceções, o pensamento deles é mais ou menos o mesmo: o brasiliense culpa os políticos pelas desgraças da gestão petista. As pesquisas internas feitas por Rodrigo Rollemberg, Luiz Pitiman, Izalci Lucas e Rogério Rosso confirmam o quanto o brasiliense está insatisfeito com seus representantes, sea na Câmara Legislativa, no Congresso ou no Executivo.

Embora nenhum deles confirme publicamente que estão monitorando o humor dos eleitores, todos estão preparando o discurso para convencê-los a mudar de opinião. Neste grupo, três nomes se destacam na dianteira: senadores Rodrigo Rol­lemberg, Gim Argello e o deputado federal Luiz Pitiman. Gim, além de pesquisas qualitativas, faz reuniões e participa até de festinhas de aniversários em casas de lideranças nas regiões administrativas, como Taguatinga, Samambaia e outras cidades onde tem apoiadores. O senador petebista trabalha para ser reeleito ao Senado, mas, se a maré mudar para outro desafio, com chances de vitória, não hesitaria em embarcar no projeto. No entanto, ele quer mesmo é permanecer no posto de senador a partir de 2015. “Gim não deseja outra coisa a não ser a reeleição para o Senado”, garante um amigo prefeito no Entorno. Cacife ele tem de sobra. Foi reconduzido novamente como líder do Bloco União e Força, formado por 14 senadores de quatro partidos, PTB, PR, PSC e PPL. Se tudo der certo, pode também ser eleito presidente do PTB nacional no lugar de Roberto Jefferson que está com a saúde debilitada. Com este poder, pode influenciar muitas siglas a embarcar em sua reeleição e quem sabe, ao Palácio do Buriti.

Quanto a Rollemberg, trabalha com afinco em quase todo o Distrito Federal, incluindo a zona rural, território que ele cultiva desde os tempos de deputado distrital. Também montou uma equipe afinada com o discurso de transformação e renovação “nas práticas políticas atrasadas e corruptas do Distrito Federal”. Esta bandeira vai ser um de seus carros-chefes na campanha eleitoral. Rollemberg percebe em suas andanças que parte do eleitor mais esclarecido, sua principal base de sustentação, não está decepcionada com sua atuação parlamentar e, por isso, trabalha para ampliar este índice de satisfação nas classes C e D.

Luiz Pitiman já preocupa muita gente, incluindo seu padrinho político, vice-governador Tadeu Filippeli. Pitiman foi muito além do que o experiente Filippelli imaginava. Conquistou a graça de várias lideranças na Câmara Federal e no Senado com sua capacidade inesgotável de trabalho. Teve um ano produtivo nos interesses do Distrito federal, tanto como coordenador da bancada brasiliense como destinando emendas parlamentares para projetos importantes na cidade. Outro ponto forte é sua atuação junto às camadas C, D e E. Estes estratos sociais, conforme pesquisas feitas, apontam Pitiman “como o melhor e mais atuante deputado do Distrito Federal”. Diferente do deputado Antônio Reguffe (PDT), que tem muitos votos só classe A, Pitiman já ameaça os redutos tidos como cativos do vice-governador Tadeu Filippelli, daí a preocupação em neutralizar o mais rápido possível este avanço do ex-pupilo. Outro dado relevante é o carisma de Pitiman que de empresário passou a ser um dos políticos mais respeitados do DF e com um potencial político acima da média. Vai dar muito trabalho para convencê-lo a mudar de rumo.

Izalci Lucas sabe que sua atuação marcadamente oposicionista rende votos, mas não o suficiente para uma candidatura majoritária. O PSDB nunca foi uma fortaleza no DF e agora menos ainda, por estar fora do poder há muito tempo. Dificilmente, arrebanha um grupo de oposição tendo ele na cabeça de chapa. Seu destino será negociar, no futuro, espaço dentro de uma coligação com chances de vencer Agnelo. Do lado do DEM de Alberto Fraga, a situação não é das melhores. Pra­ticamente sozinho, mesmo tendo um capital de mais de meio milhão de votos na conta da eleição passada, fica complicado repetir esta marca quando se está praticamente isolado pelos outros partidos. De acordo com pessoas próximas, Fraga espera uma decisão sobre a Caixa de Pandora para “buscar os aliados que estão a espera de um líder de oposição com coragem para denunciar as mazelas do GDF”.

Sobre Tadeu Filippelli, pouco se sabe de seus projetos futuros, mas pouca gente aposta que ele vá permanecer no barco de Agnelo por muito tempo. “É admirável sua lealdade aos acordos firmados com o PT quando apoiou Agnelo, mas como presidente de um partido importante como o PMDB, não acredito que Filippeli vá afundar com Agnelo”, resume um amigo de longas jornadas. Por fim, Rogério Rosso. Se ele conseguir segurar o PSD e ampliar seus filiados, torna-se um páreo duro na corrida eleitoral de 2014. Jovem, simpático, moderno como a paisagem arquitetônica de Brasília, tem tudo para entrar na corrida com chances de vencer, principalmente se mantiver seu discurso de conciliação. Esta estratégia, ao contrário do que os críticos dele imaginam, tem a concordância da maioria dos eleitores. Acabou o tempo dos radicais.

Fonte: Jornal Opção

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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