Especialista diz que Rollemberg não se estabeleceu entre forças políticas

Governador Rodrigo Rollemberg completa seis meses de gestão, mas se ressente do poder do PSB regionalmente.

Filiado ao PSB há 35 anos, o governador Rodrigo Rollemberg chegou ao topo da política local, mas o partido não acompanhou a evolução. Com baixo número de filiados — 5,7mil —, a sigla não tem deputado distrital. Também não exerce influência sobre nenhuma categoria, sindicato ou segmento da sociedade. Nesses seis primeiros meses de governo, a baixa capilaridade do projeto socialista no DF, a ausência de interlocutores com a comunidade e a frágil base na Câmara Legislativa ajudaram a desgastar o Executivo local. Sem uma militância forte que o defenda em esquinas, bares e rodas de conversa, as dificuldades de Rollemberg para tocar a gestão e convencer a população das medidas que considera necessárias atrapalham o andamento do GDF.

Em julho, com a Câmara de recesso, ele esperava ter uma trégua na crise política e na relação com o parlamento. Os distritais, no entanto, saíram de férias e deixaram o governador em uma situação complicada. Os 54 projetos aprovados a toque de caixa no último dia de trabalho da Casa estão na mesa do socialista, que tem poder de vetar ou sancionar as propostas. Se vetar, ele compra briga com deputados, de quem depende para aprovar medidas “imprescindíveis para tirar Brasília da crise”, como tem repetido. A sanção, por outro lado, não representa uma pauta positiva: com trajetória de esquerda, progressista, não soaria bem com seu eleitorado, por exemplo, o sim a projetos como o Estatuto da Família — mesmo caso da criação de três benefícios a policiais em tempo de falta de recursos até para salários.

O cientista político Everaldo Moraes vê como um obstáculo para o projeto do PSB a ausência de uma fatia da população que defenda o governo “custe o que custar”. Ele afirma que não será fácil para Rollemberg criar um eleitorado fiel, pois a política brasiliense é historicamente dominada por dois grupos. “A cidade sempre teve duas grandes forças. O PT, com militância forte, enraizamento nos sindicatos e muitas vezes associado ao funcionalismo público. E o clã rorizista, seguido por José Roberto Arruda, que faz uma política mais clientelista e também conta com público fiel”, analisa. O desafio de Rollemberg é se mover entre os dois lados e conseguir ficar acima de ambos. “Ele (Rollemberg) tem um histórico muito próximo ao PT, mais à esquerda, mas sabe que o PT não aceita entregar o protagonismo do processo político. Do outro lado, há um flanco aberto, sem nomes fortes, mas que não faz jus à trajetória do governador. Então, ele está numa sinuca de bico”, comenta.

Fonte: Correio Braziliense

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