Fotografias valorizam ações do candidato

imagem-publicaPhoto op significa, em linguagem política, oportunidade para fotos. Isto é, tirar partido das oportunidades para ser fotografado ou filmado, em situações que qualificam a foto para ser publicada nos jornais, ou “fazer” o horário do noticiário de TV.

Já se falou aqui no esforço que o candidato deve realizar, ao longo de toda a campanha para obter uma cobertura, se possível favorável, da mídia. Trata-se da divulgação de sua imagem, idéias, propostas, feita de forma gratuita, em veículos de grande público, apresentadas com o revestimento de objetividade que o veículo cultiva.

Uma boa imagem vale páginas de textos escritos. As “photo ops” são em primeiro lugar, e acima de tudo, oportunidades que às vezes têm a duração de segundos. Ou são aproveitadas no momento, ou a chance passou.

Obter uma boa foto estampada na primeira página de um jornal, ou apresentada em horário nobre na TV, é uma vitória da sagacidade do político, combinada com o oportunismo do fotógrafo. O fotógrafo, na equipe de reportagem, é também (ou pelo menos deveria ser) um jornalista. Ele está sempre atrás do instantâneo único, que só ele capta. Para ele, este instantâneo equivale ao “furo” de reportagem de um jornalista.

De sua parte o político também precisa estar atento às oportunidades, que podem surgir de forma imprevisível. Se for muito hábil e astuto, o político pode inclusive montar o cenário para uma Photo op. Entretanto, nesta hipótese deverá ser muito cuidadoso para não deixar “pistas” de sua ação preparatória. Se o jornalista perceber, o comentário mordaz é certo, e um traço de manipulação e artificialismo do seu comportamento ficará evidenciado.

Photo ops e o ridículo

Por outro lado, há “photos ops” que são “tiros no próprio pé”. Em certas situações é certo que o político vai conseguir fazer a página do jornal ou o noticiário da TV, mas por razões erradas,como ser pego numa situação ridícula .

O ridículo captado num instantâneo, sempre será uma foto que estará entre aquelas poucas disputando o espaço da divulgação. Porém, nenhum candidato deseja conquistar o espaço nobre pagando por ele o preço do ridículo de sua imagem. Como a oportunidade às vezes é muito breve, o risco de improvisar é elevado. Há políticos que têm tal grau de sensibilidade que a todo o momento produzem excelentes “photo ops”.

Há outros, entretanto, e serão a maioria, para os quais recomenda-se a cautela, antes de lançar-se na aventura. Qualquer ato que saia do padrão pode originar uma foto. Por exemplo, imaginemos um ato externo onde o candidato, acompanhado de auxiliares e apoiadores está visitando uma área. Suponhamos que nesta área, no trajeto que estão percorrendo, haja uma vala.

Se a comitiva caminhar alguns metros mais poderá contorná-la sem dificuldade. Mas o candidato, tentando dar uma demonstração de que está em forma, que possui atitudes jovens, decide saltar a vala.

Imaginemos a situação e congelemos a cena com o candidato no ar. Das duas uma. Se o salto tiver sucesso, poderá fazer a capa do jornal. Afinal, não é um fato corriqueiro candidatos saltando valas.

Se, por outro lado, o salto foi um fracasso e ele caiu na vala, é certo, absolutamente certo que ele vai para a primeira página e para a TV. Ambos veículos irão exibir a situação ridícula em que ficou. Na primeira hipótese, poderá obter a foto. Na segunda, com certeza conseguirá !
Photo op como demonstração de um atributo

O exemplo recém mencionado já nos dá uma idéia da principal razão para buscar a Photo op. Com ela o candidato pretende provar algo. Naquele caso, era provar que tinha atitudes jovens, descontraídas, que estava em boa forma física. Há portanto tantas possibilidades de Photo op quantos são os pontos que o candidato quer provar, para cobrir deficiências de imagem, ou para somar pontos junto a segmentos do eleitorado.

Alguns exemplos:

Provar boa forma física (sobretudo para os mais velhos, os que estiveram recentemente doentes);
Provar que é igual ao povo (tomar um café dentro de um casebre, ser visto trocando o pneu do carro)
Provar que é talentoso (tocar um instrumento musical)
Provar que é esportista (fazer jogging, jogar futebol )
Provar que é um homem de família (brincar com filhos/netos)
Provar que é uma pessoa terna (gestos de atenção e carinho com pessoas doentes, pobres, velhas.Se for nos EEUU troque qualquer coisa por ter um cachorro, é obrigatório…)
Provar que sabe resolver problemas (o som não funciona e o candidato vai à mesa de som e, em minutos, o conserta)

Um exemplo de uma situação onde a oportunidade da Photo op surgiu de maneira inesperada e foi muito bem aproveitada, é o de um amigo que, quando candidato a Prefeito de uma cidade importante do interior, estava fazendo o seu “corpo a corpo” e encontrou um casal, em frente da casa, preocupado em fazer um buraco com uma pá.

Como o marido estava tendo dificuldades, o candidato, homem de posses, acercou-se e pediu-lhe a pá. Surpreso o marido entregou-lhe a pá, e ele, com uma meia dúzia de golpes fez um buraco perfeito, na forma de um quadrado, e entregou a pá ao marido.

A mulher que a tudo assistia não perdeu a chance para dizer: “Agora quero ver se tu não vais votar nele, como dizias, ele é rico mas sabe trabalhar com a pá melhor que tu.”

Foi uma excelente Photo op que não aconteceu, porque não havia fotógrafo por perto. O gesto porém provou alguma coisa: aquele candidato “rico”, bem vestido, importante, era uma pessoa simples que sabia trabalhar com as mãos.

Como se vê, nestes exemplos, é quase infinita a possibilidade de buscar uma Photo op para provar um ponto, para cobrir uma deficiência de imagem, e confirmar possuir um atributo que é valorizado pelo eleitor.

Fonte: Política para Políticos

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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