Gestão compartilhada com a segurança é aprovada por maioria nas escolas

Ampliação de modelo de gestão dos estabelecimentos de ensino é prevista, inclusive com a parceria de embaixadas

Por Josiel Ferreira e Maurício Nogueira 

A gestão compartilhada com a segurança pública é aprovada pela maioria dos estudantes, professores, diretores e militares nas escolas do Distrito Federal

A informação é do secretário da Educação, Rafael Parente, em entrevista ao Tudo Ok Notícias nesta terça-feira (30). Ele antecipou algumas informações sobre resultados da gestão compartilhada de segurança nos estabelecimentos de ensino da rede pública.

Entrevista Secretário da Educação Rafael Parente

Os dados serão em breve divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. Além disso, ele também informou que pelo menos 190 escolas, em breve, terão manutenção para melhorar as condições físicas.

Rafael explicou que é realizado um acompanhamento da gestão compartilhada desde o início. Também foi criado um grupo de trabalho integrado pelo secretário de Segurança Social, Anderson Torres, com a participação do próprio governador Ibaneis Rocha, com a finalidade de resolver uma série de questões.

“Foi um dos projetos que a gente implementou com mais pressa. O próprio batalhão escolar vinha trabalhando nessa proposta há dois anos, só que o governo anterior decidiu não tocar. E o governador Ibaneis logo de cara falou ‘eu quero implementar isso muito rapidamente.’”

Parente contou que a secretaria de Segurança criou gratificações para que os policiais militares da reserva retornassem ao trabalho, inclusive, passando por uma adequação capacitada para exercer o serviço no interior das escolas.

“Isso, provavelmente, vai continuar. Inclusive acabou de sair um decreto de lei do presidente mudando a atuação de policiais e bombeiros para que eles possam atuar dentro das escolas”, ressaltou o secretário.

Avaliação pedagógica positiva

Ele, ainda, antecipou ao Tudo Ok que foi feita uma avaliação pedagógica do processo de implementação da escola com gestão compartilhada com a segurança. “A gente olhou para  a avaliação diagnóstica dessas escolas esse ano em relação ao ano passado. Encontramos já uma diferença de mais de 5%. A avaliação diagnóstica foi complementada em abril. O resultado ainda foi muito pequeno”, declarou.

No entanto, o avanço pedagógico encontra-se bem superior. E os próprios professores e diretores das escolas acreditam que o ambiente das escolas, por ter mais ordem, organização, estar mais disciplinado, ter menos bagunça é positivo “Os próprios alunos, em todas as escolas, se vocês forem conversar com eles, todos reclamam da indisciplina dos próprios alunos. Se vocês perguntam para os alunos, o que precisa mudar? Eles falam: ‘os alunos precisam parar de serem indisciplinados’”, sublinhou Parente.

Na visão de Parente, as ações para aprimorar a gestão compartilhada, como, por exemplo, um novo regimento escolar, visa a reagir “a um clamor dos próprios alunos”.

De acordo com uma pesquisa a ser divulgada pela secretária de Segurança, a maioria dos alunos, entre 50% e 60%, acham que a escola está melhor e quer que o programa continue.

Dentre os professores, 75%, ou seja, três em cada quatro professores quer que o programa continue. Entre os servidores, algo em torno de 92% e os militares 98%. “A gente tem a grande maioria entre os alunos, que passam por um processo de disciplina, e querem a continuidade do projeto. E são os professores que no começo, inclusive, criticaram e a gente tem a grande maioria sendo favorável ao projeto”, disse.

Baseado nessa pesquisa, foram levados os primeiros resultados para o governador Ibaneis Rocha e, segundo o secretário, o governador ele falou: “‘Então vamos ampliar pelo menos para mais seis (escolas)’. Ele queria mais, mas a própria (secretaria de) Segurança falou que como a gente ainda está amadurecendo, vamos com mais calma.”

TudoOK Notícias quis saber se a entrada da Polícia Civil não colaboraria ao participar dessa implementação da gestão compartilhada.

O secretário explicou que cada corporação tem o seu desenho. Ele citou que o desenho da escola policial militar é um, a dos bombeiros tem outro desenho. E a polícia civil está criando o seu próprio desenho.

“A gente não vai forçar a barra para eles correrem para a gente fazer uma coisa com pressa. Eu acho que vai ter uma decisão das duas pastas e do governador. Vamos amadurecer, vamos deixar as coisas mais consolidadas para que se for o caso depois a gente avance mais rapidamente”, explicou.

A questão do efetivo de recursos humanos foi lembrada por Parente. “Precisamos ter um efetivo, que esses profissionais sejam bem selecionados, bem formados para que a gente não tenha problemas nas escolas. Essa avaliação ela deve ser mudada pelo Pestana por esses dias. Aí fica a dica porque então vocês conversam com ele e acho que a própria Segurança vai divulgar”.

Parente acrescentou que a avaliação completa com todos os números serão divulgadas. “Mas eu já estou adiantando alguns números para vocês”, frisou.

Mais seis escolas

Segundo o secretário, o GDF irá implementar a gestão compartilhada em mais seis escolas, além das quatro iniciais. A vontade do governador Ibaneis é chegar até 200, na mesma sintonia da vontade da população, que é a de ampliar o número mais rapidamente.

“Pela nossa realidade, a questão da formação, do efetivo, do orçamento, quando a gente entra com 15 a 20 profissionais em cada escola o custo é bastante alto. E outra questão que a gente tem é: ‘é o melhor custo benefício para as escolas?’”, questionou Parente.

“A gente não tem essa resposta ainda. A gente vai avaliar diversos modelos diferentes para que a gente entenda se o custo benefício da escola de gestão compartilhada com a segurança, que a gente vai abrir agora para outras áreas, gestão compartilhada com a cultura, com os esportes, com ciência e tecnologia com a fundação de pesquisa.”

No entendimento do secretário, é preciso um consenso e certeza que a gestão compartilhada  com a segurança é de fato positiva.

Ele contou que no momento há gestão compartilhada as embaixadas. A ação é patrocinada pelas próprias embaixadas. “As embaixadas estão investindo para transformar as nossas escolas em centros culturais daqueles países e interculturais bilíngues”, informou.

“São vários modelos que nós estamos experimentando. Com o professor Pacheco da Escola da Ponte já tem a carta do Paranoá e da 115 Norte também vai ampliar. O que a gente quer é o seguinte que a população e os alunos entendam que existem diferentes modelos de escola e eles podem buscar modelos diferentes”, completou.

Para Parente, os cidadãos precisão entender que não se deve ter um único modelo de escola. “Porque as pessoas são diferentes, as pessoas têm personalidades diferentes, tem gostos diferentes, aprendem de forma diferente e, por isso, a gente precisa ter estilos de escolas diferentes”, concluiu o secretário.

Entre os pontos levantados durante a entrevista, a questão dos uniformes das escolas com gestão compartilhada de segurança foi abordada. Os alunos estão ansiosos por receber os novos uniformes.

O secretário informou que queria entregá-los em março ou abril. A Secretaria de Segurança preferiu fazer primeiro um desenho entregue no começo de junho. Em seguida esse desenho foi entregue a um grupo de trabalho. “Então, provavelmente, em agosto, a gente vai ter os uniformes para entregar para as escolas, mas, assim como esses uniformes, os outros uniformes eu também não posso assegurar a data que a gente vai conseguir entregar.”

De acordo com Parente, não houve condições de realizar a licitação e ter feito a entrega durante do mês de julho. “Licitação a gente sabe que várias delas têm problemas. Várias vezes os próprios órgãos de controle criam situações, suspendem e tal. Então, eu não tenho como falar, tal dia será entregue o uniforme da gestão compartilhada ou os uniformes das escolas”.

Manutenção

Quanto às condições físicas dos estabelecimentos de ensino da rede pública, o secretário adiantou que há um cronograma, com prioridade, que prevê reformas e reestruturação de 190 escolas.

O trabalho de levantamento foi realizado por engenheiros, que diagnosticaram os problemas mais graves naquelas que passarão por manutenção com maior urgência.

Fonte: Tudo OK Notícias

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