Governo e oposição brigam na CPI da Petrobras: querem ouvir Lula e Aécio Neves



governo-e-oposicao-brigam-na-cpi-da-petrobras-querem-ouvir-lula-e-aecio-nevesApesar da disputa política, a comissão aprovou depoimentos importantes, de pessoas ligadas ao doleiro Alberto Youssef, que participaram diretamente do esquema.

A CPI da Petrobras viveu momentos de radicalização política nesta quinta-feira (14) quando votou requerimentos para convocar envolvidos com o petrolão, autorizar quebras de sigilo bancário e outras providências. Existe pedido para ouvir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de autoria dos adversários do Palácio do Planalto. Em resposta à ofensiva da oposição, o PT anunciou a apresentação de propostas para que dois líderes da oposição, os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Agripino Maia (DEM-RN), sejam também convocados.

Havia acordo entre os líderes partidários para aprovar mais de 50 requerimentos, um conjunto de propostas que na rotina legislativa é chamado de “bloco do relator” – o relator é o petista Luiz Sérgio (RJ). Vencida essa etapa, as propostas não consensuais são analisadas. A convocação de Lula estava entre elas, mas, graças a manobras regimentais, o PT conseguiu prolongar o debate naquilo previamente acordado e a segunda etapa de votação não ocorreu. Fazia parte ainda desse pacote a oitiva do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Os debates ainda transcorriam quando a Liderança do PT na Câmara anunciou que apresentará os requerimentos referentes a Aécio e Maia. O PSDB foi citado no petrolão. O doleiro Alberto Youssef, um dos delatores da Operação Lava-Jato, afirmou ter ouvido na empresa Queiroz Galvão, uma das empreiteiras investigadas, que R$ 10 milhões foram enviados ao ex-senador e ex-presidente nacional do partido Sérgio Guerra (PE), falecido no ano passado, para que fosse neutralizada a CPI que investigava a estatal no Senado em 2009.

Quanto a Maia, a nota do PT sobre o assunto mencionou um esquema de corrupção no serviço de inspeção veicular no Rio Grande do Norte, investigado pela Operação Sinal Fechado, do Ministério Público estadual. É algo sem conexão com o tema da CPI.

O presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB), precisou intervir por várias vezes para que a discussão entre governistas e opositores não resultasse na interrupção dos trabalhos. Motta tem insistido que colocará todos os requerimentos em pauta. “Todos serão pautados, porque essa é uma praxe escolhida por nós”, afirmou. O relator Luiz Sérgio criticou a iniciativa do seu partido. “Politizar não vai contribuir em nada com essa investigação”, afirmou.

Mesmo com o embate político, os deputados aprovaram requerimentos importantes, como a convocação de pessoas ligadas ao doleiro Alberto Youssef. Prestarão depoimento na comissão Leonardo Meirelles e Rafael Ângulo, apontados como auxiliares de Youssef, respectivamente na lavagem do dinheiro e na distribuição da propina. Segundo Youssef, uma conta administrada por Meirelles no HSBC de Hong Kong foi usada para repassar dinheiro ilegal a políticos do PMDB, incluindo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A operação foi intermediada pelo lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano.

Após a votação, a CPI ouviou o engenheiro Renato Sanches Rodrigues, diretor de operações da Sete Brasil. A empresa foi citada em delações premiadas da Lava-Jato. Ex-gerente da Petrobras e ex-diretor da Sete, Pedro Barusco, um dos delatores, afirmou que dinheiro de contratos da empresa foi desviado para o pagamento de propina. Rodrigues assumiu recentemente o cargo, que antes foi ocupado por Barusco. O atual negou ter conhecimento das irregularidades e defendeu a Sete, que hoje atravessa um momento de restruturação do negócio.

Fonte: Fato Online

 

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