Michael Melo/MetrópolesO almoço entre meia dúzia de distritais e um senador pode dar uma indigestão é no governador do Distrito Federal. Um dos temas postos à mesa dos parlamentares foi o comportamento de Rodrigo Rollemberg (PSB) com relação à proposta de reeleição na Câmara Legislativa.

Na última quarta-feira (27/4), a presidente da Casa, Celina Leão (PPS), dava como certo os 16 votos necessários para a aprovação, em segundo turno, do projeto da reeleição. Mas o socialista colocou água no chopp de Celina ao telefonar para alguns dos deputados e pedir que não votassem a proposta.

O apelo de Rollemberg deu tão certo que a distrital não pôde colocar o tema à prova. Acabou adiando a votação. “Não vamos mexer com esse assunto agora, por enquanto vamos deixar quieto e falar só sobre Brasília”, disse Celina ao Metrópoles.

Mas na política, vingança é um prato servido quente. Apoiada pelo senador Cristovam Buarque, também no PPS, a deputada Celina lidera um debate que pode terminar em rompimento do partido com Rollemberg: “Eu represento o sentimento da cidade, que se cansou de esperar por gestão. A minha tolerância com o governo acabou”.

Celina e Raimundo Ribeiro (PPS), dois nomes fortes na Câmara Legislativa, integram as bases do partido, embora o deputado esteja insatisfeito com o governador. Se resolverem sair das fileiras oficiais, serão dois votos sistematicamente a menos para o GDF e muito mais barulho na cabeça de Rollemberg. A executiva do partido acaba de aprovar uma nota apimentada em que fala do desembarque e vomita os motivos:

A decisão unilateral do governador Rodrigo Rollemberg de interferir em assuntos que consideramos ser de competência exclusiva da CLDF, como é o processo eleitoral daquela Casa, levou a Comissão Executiva do PPS a suspender os entendimentos até que surja um momento mais adequado para retomarmos o diálogo

Nota do PPS

O presidente do PPS no DF, Chico Andrade, disse que o partido estava pronto para apresentar um conjunto de propostas para tornar o governo mais eficiente. Mas, a reunião marcada para a próxima segunda, foi cancelada. “Não podemos considerar um rompimento, porque sempre fomos independentes, mas essa interferência na Câmara nos fez recuar”, avisou Andrade.

Numa demonstração de apoio à deputada Celina, que tem planos majoritários para 2018, alguns de seus colegas da Câmara Legislativa a acompanharam no almoço desta quinta, na Trattoria da Rosário. A especialidade no lugar são as massas, mas o fígado de Rollemberg também estava servido.

Os distritais Raimundo Ribeiro, Robério Negreiros (PSDB), Cristiano Araújo (PSD), Telma Rufino (sem partido), Bispo Renato (PR) fizeram companhia à Celina. O senador Cristovam também esteve no almoço. Além dele, José Carlos Vasconcellos, suplente de José Antônio Reguffe (sem partido), que saiu do PDT e se filiou ao PPS acompanhando seu padrinho político, Cristovam.

Na semana que vem, um encontro como o desta quinta (28) deve se repetir, mas aí com a participação de deputados federais. A reeleição na Câmara Legislativa tem tudo para virar a azeitona dessa empada, que está com cara de ser mesmo a sucessão do governo em 2018.

Confira a íntegra da nota do PPS

O PPS, a convite do Governador Rodrigo Rollemberg, realiza há cerca de um mês, uma série de diálogos com vistas a apresentar propostas que avancem o atual governo do DF na direção de entregar políticas públicas de qualidade a nossa população.
Tendo como foco alcançar mais eficiência na entrega dos serviços públicos essenciais e tão reclamados pelo cidadão que deles depende, o PPS, em sintonia com suas bancadas distrital e do Senado Federal aprovou, nos debates realizados, uma síntese das propostas que o partido considera fundamentais para o alcance desses objetivos.

O PPS têm no seu quadro de filiados dois deputados distritais, dentre eles, a presidente da Câmara, Celina Leão, que vem, indiscutivelmente, imprimindo à presidência, uma postura que coloca a casa do povo em um outro patamar de respeitabilidade, poucas vezes verificado no DF.

Mas, a decisão unilateral do governador Rodrigo Rollemberg de interferir em assuntos que consideramos ser de competência exclusiva da CLDF, como é o processo eleitoral daquela Casa, levou a Comissão Executiva do PPS a suspender os entendimentos até que surja um momento mais adequado para retomarmos o diálogo. 

Fonte: Metrópoles

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui