Justiça bloqueia R$ 300 mil de rodoviários do DF por 3 dias de greve



assembleia_1O Tribunal Regional do Trabalho determinou o bloqueio de R$ 300 mil das contas do Sindicato dos Rodoviários do Distrito Federal, referentes à multa por descumprimento de liminar que determinava que a categoria deveria rodar com 70% da frota no horário de pico e 50% no entrepico, mesmo durante a greve. Motoristas e cobradores suspenderam todo o serviço durante três dias em protesto por reajuste no salário e no tíquete alimentação. A paralisação afetou 1 milhão de passageiros.

A decisão é assinada pelo presidente do TRT, André Damasceno, e foi assinada nesta quarta-feira (10). De acordo com o tribunal, a medida ocorre como forma de garantir verba caso seja determinado no final do processo o pagamento da multa. Empresários e rodoviários se encontram nesta sexta em uma nova audiência de conciliação para discutir a legalidade da greve.

A categoria decidiu encerrar a paralisação depois de chegar a um acordo com as cinco concessionárias de transporte público sobre os aumentos. O percentual no salário será de 10%. No tíquete alimentação, de 11%. O G1 procurou o presidente do sindicato, João Osório, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.

O sistema de transporte da capital conta com 12 mil rodoviários. Antes do aumento, o salário de um motorista de ônibus era R$ 1.928 e o de um cobrador, R$ 1.008. As negociações com as empresas começaram em abril.

Negociações
Inicialmente, a categoria reivindicava 20% de aumento no salário e 30% no tíquete alimentação e plano de saúde familiar. As empresas ofereceram 8,34% de reajuste nos salários com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

A proposta sobre reajuste no plano de saúde não entrou no acordo. As empresas aceitaram pagar dois meses do benefício aos trabalhadores afastados por saúde.

A reunião que definiu o acordo, entre os dirigentes do sindicato e a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (Abratup), durou cerca de cinco horas. Os secretários de Mobilidade, Carlos Tomé, e de Relações Institucionais, Marcos Dantas, deram anuência ao acordo. Antes, uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho entre rodoviários e as empresas terminou sem acordo.

Segundo o secretário Carlos Tomé, como o valor acordado ultrapassa o INPC o contrato determina que o GDF participe da negociação e dê anuidade ao acordo. Ele afirmou que com o aumento salarial, o subsídio repassado às empresas será R$ 3,5 milhões maior por mês, mas não haverá repasse ao valor da tarifa para o usuário. “O subsídio vai ter que aumentar, mas o passageiro não vai ter a passagem alterada”, disse Tomé.

Sem omissão
Então chefe da Casa Civil, Hélio Doyle afirmou nesta quarta-feira (10) que o governo não estava omisso em relação à greve dos rodoviários e que as acusações são “sem sentido”. Ele disse que o GDF tentava evitar “a todo custo” mudanças que levassem ao aumento de preço das passagens.

“O governo está sendo acusado de omissão. Totalmente sem sentido essa acusação. O governo está acompanhando toda a negociação, mas não é parte dessa negociação. O governo ser parte é a prática antiga, é a parte corrupta do que havia antes”, declarou.

Fonte: G1

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