O Circo do absurdo



circoTem goiabada? Tem, sim senhor!Tem palhaçada? Tem, sim senhor!  Este mês, o Plano Piloto foi contemplado por um circo armadono estacionamento de um Shopping Center no final da Asa Norte.Atraiu inúmeros espectadores. Sessões lotadas. O chamariz era a apresentação do espetáculo Frozen, uma aventura congelante. Um desenho que fez muito sucessoentre as crianças em 2013.

A fila para conseguir um ingresso era enorme. Centenas de pais com filhos no colo e crianças aguardando para assistir o tão sonhado espetáculo.  Como sempre, as coisas aqui são planejadas,pensadas e executadas para obem-estar da população. A fila se misturava com os carros no estacionamento. Nos diaschuvosos,era uma maravilha, pais correndo para todos os lados. Valia tudo para conseguir chegar à bilheteria, até o risco de ser atropelado.

Nem oShopping e, muitos menos, o circo disponibilizaram profissionais para proteger e garantir a segurança das pessoas que se encontravam na fila.  Havia diversosfuncionáriosdo circocaracterizados de palhaço vendendo diversas bugigangas. Os pais, reféns da situação, sentiam-se na obrigação de comprar.

O que me impressionou é que muitos não tinham a mínima ideia se a propaganda anunciada pelo circo era, de fato, verdadeira. O tempo médio para adquirir um ingresso demorava, às vezes, até1h. Não havia fila prioritária como manda a lei. Gestantes, idosos, mãe com crianças de colo e portadores de deficiência aguardavam, pacientemente, a sua vez. Tive a impressão que o verdadeiro circo se encontrava a céu aberto, lotado de artistas sem remuneração.Mágicos, equilibristas epalhaçoscapazes de fazer de tudo para arrancar um sorriso de uma criança. Mas, inconscientemente, como sempre, colaboravam com o “circo do absurdo”.

Às vezes, viver em Brasília recorda a precariedade de algumas cidades do interior do Brasil. A carência por arte é tamanha que o contribuinte se sujeita a enfrentar diversos tipos de constrangimentos para dizer que, no dia seguinte, fez parte do show.

Como de costume, as fatalidades precisam acontecer para depois tomarmos alguma providência. E, se observarmos bem, é possível encontrar risco de acidente em diversos pontos da cidade. Desde os parquinhos das quadras até caminharmos debaixo dos abacateiros e das jaqueiras engatilhados para, a qualquer momento, tirar algum palhaço de cena.

O mais difícil nesse processo é conseguir romper coma lógica cultural do não agir. Aceitar as coisas erradas e se submeter a elas como que, em algum momento, fosse surgir um super-heróicolocando tudo na mais perfeita ordem. Sem exposição e sem manifestação, a criatura se exime do afrontamento. A obediência traz a paz e o ajuda a não ser expulso da cidade planejada.

Armando Mercadante Neto

Contato e sugestão de pauta: armandomercadanteneto@gmail.com

 

COMPARTILHAR
Artigo anteriorDoyle fala sobre crise, privatizações e concessões
Próximo artigoEntrevistado 11/5: Oscar Silva, Presidente do PHD
Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

1 COMENTÁRIO

  1. Infelizmente não só aqui como em todo lugar, em se tratando de CIRCO sempre acontece isso.
    “ tudo que tem preço é de pouco valor” sabemos que nem sempre é assim mas na maioria das vezes, o barato sai caro!!! É a lei da oferta e da procura e sempre tem quem compre. Em fim quem tem filhos, tem que ficar com os dois pés atrás em se tratando de entretenimento família.
    OBS: Adorei a reportagem!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

*

code