O discurso básico

Na política, a repetição é sua amiga. Muda o público, mas não muda a mensagem. É preciso ter um discurso básico para todos os propósitos de campanha.

A campanha eleitoral, resume-se, no essencial, a falar, falar e falar. Não faltam oportunidades ao candidato para falar, seja em conversas, reuniões, palestras, discursos, entrevistas etc. O verdadeiro problema, portanto, não é falar. É ser ouvido, conseguir que as pessoas guardem a lembrança do que você fala, e sejam persuadidos por sua mensagem.

O discurso básico é uma peça estratégica, uma carta na manga

Para conseguir isto não é necessário ser um grande orador, como ocorria no passado. Sua meta deve ser tornar-se um orador eficiente. A linguagem moderna, sobretudo depois da TV, exige que a comunicação política seja clara, objetiva e reduzida. Perdeu-se na era moderna a paciência para longos discursos, para a oratória rebuscada, para o discurso erudito.

A objetividade que se busca não é também a objetividade do técnico (que faz parte da vida moderna), mas que, usada politicamente revela-se enfadonha, inacessível, e demasiado carregada de dados e números.

Sem cair na oratória tradicional, nem na moderna oratória tecnocrática, você deve possuir um discurso básico de campanha com os atributos de clareza, objetividade e concisão.

Este discurso básico vai acompanhá-lo por toda a campanha, e você vai repeti-lo centenas, milhares de vezes. A razão para que você permaneça fiel a seu discurso básico, já foi inúmeras vezes referida neste site: o segredo do sucesso eleitoral depende da comunicação repetitiva e persuasiva de sua mensagem para seus eleitores potenciais.

Na política, a repetição é sua amiga. Muda o público, mas não muda a mensagem. Assim, você precisará ter um discurso básico, para todos os propósitos de campanha, que apresenta seu posicionamento na campanha, o foco de sua candidatura e as propostas com as quais você se compromete.

Como é óbvio, o discurso deve ser capaz de ser adaptado aos mais variados públicos, sem mudar seu conteúdo. Este discurso básico, pode inicialmente ser redigido de forma resumida num cartão, do qual constarão 5 a 10 pontos centrais, apresentados sob a forma de uma frase ou expressão.

Mesmo em situações informais, até que você tenha absorvido o discurso básico, um cartão com referências é sempre útil para:

a – cobrir todos os pontos importantes da mensagem

b – evitar a repetição do que você falou

c – não esquecer os temas que você deve enfatizar e desenvolver

É conveniente ter três modelos de discurso: um para pronunciar em três minutos; outro para entre 5 e 10 minutos, e um terceiro para 20 minutos. Dificilmente ocorrerá situação de campanha que não se enquadre num destes três intervalos de tempo.

Discurso pode ser alterado, mas deve refletir anseios do eleitor

O discurso básico não deve ser uma “camisa de força”. Você deve ser capaz de:

Adaptá-lo ao público específico ao qual se dirige
Enriquecê-lo com citações, ou com uma observação de humor

O que você não deve fazer é mudar o discurso à medida em que muda o público, seja porque já cansou de tanto repeti-lo, seja porque acha que de improviso pode fazer um discurso melhor. Cuidado. A menos que tenha o talento para o improviso (que significa liberdade na expressão do discurso, com disciplina na obediência à sua estrutura), não se arrisque. Pode perder a chance de comunicar uma mensagem que foi cuidadosamente “empacotada” naquele discurso.

É muito importante que seu discurso básico contenha alguns soundbites, isto é, frases de efeito ou expressões fortes, que resumidamente dizem muito, e que, por isso são guardadas na memória, são repetidas pelos ouvintes e relembradas.

O soundbite é sempre entendido pelo eleitor como uma mostra de inteligência, sagacidade, agilidade mental. Ela conquista por seu impacto. O eleitor a recebe como uma forma bem apanhada e oportuna de definir uma situação, uma pessoa, uma idéia, uma proposta.

Com o tempo o discurso básico vai se aperfeiçoando, sem perder sua estrutura e conteúdo. É uma história com a qual o tema é introduzido, é um soundbite provocador, é um assunto que é enriquecido com detalhes que não possuía no início, em resumo, é o estilo pessoal do candidato que transforma o discurso numa fala muito pessoal , com a sua marca e características.

O discurso básico, com o andamento da campanha vai sofrer algumas alterações de conteúdo. Seja porque, suas pesquisas mostram que deve abordar algum tema que não estava contemplado, seja porque sofreu uma acusação e precisa respondê-la, seja porque você passou a acusar seu adversário, seja porque surgiram pesquisas que exigem de você um posicionamento, entre outras possibilidades. O importante não é o fato de surgir a necessidade de introduzir alguma mudança, e sim a forma como você procede para realizá-la.

O discurso básico, como se viu, é uma peça estratégica, portanto sua mudança deve obedecer a critérios de conteúdo e forma igualmente estratégicos. Nunca faça a mudança no discurso por capricho, ou sem discutir com seus assessores estratégicos.

O candidato normalmente tem uma reação negativa ao discurso básico. Ele se sente engessado pela sua estrutura e entediado pela sua repetição. Há formas para fugir ao tédio e ao engessamento( o enriquecimento do discurso), mas não há para fugir à repetição.

Fonte: Política para políticos

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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