Os contatos de alta intensidade



Numa campanha eleitoral, deve-se usar todas as possibilidades de contatos de alta intensidade, pela sua eficácia e por seu efeito multiplicador.

Contatos de alta intensidade são os mais eficientes, porque ensejam uma relação direta do candidato com o eleitor. Por depender do tempo do candidato, que sempre é reduzido, ele deve ser estratégico e seletivo. Como tal, depende para ter sucesso, de um prévio planejamento, que assegure ao candidato encontrar-se com as pessoas certas dedicando a elas o tempo adequado.

O tempo reduzido exige que contatos de alta intensidade sejam estratégicos e seletivos

As “pessoas certas” são aquelas que “representam” um segmento do eleitorado que potencialmente pode votar no candidato. Não sendo possível contactar todos os membros do segmento, o candidato deve encontrar-se pessoalmente com indivíduos daquele segmento e suas lideranças (quando houver).

A razão para esta seletividade é que o segmento pode sentir-se “representado” pelos membros que se encontraram com o candidato; este pode ouvir o que pensam os integrantes do segmento e falar para eles especificamente; além do fato de que certos segmentos possuem sua mídia interna, reuniões, seus membros se comunicam entre si, o que produz o efeito multiplicador do contato.

O “tempo adequado” significa uma porção de tempo suficiente para que o contato seja eficiente, isto é, que demonstre a atenção e importância que o candidato dedicou a eles. Visitas corridas, só para ser visto, sem oportunidade de conversar, falar e ouvir, não devem ser consideradas como contatos de alta intensidade. Podem até mesmo, serem prejudiciais. Por outro lado, visitas muito longas são também negativas. Dão a impressão que o candidato não tem muito que fazer e criam uma intimidade perigosa.

Nestes contatos, o comportamento do candidato é de grande e decisiva importância. Cumprimentar as pessoas, olhá-las nos olhos, e dizer a frase mágica que só ele pode dizer: “Eu preciso do seu voto, preciso do seu apoio”.

Comportar-se com o grau de informalidade que a situação permite – nem demasiado íntimo nem demasiado rígido- simpático, atencioso, dando a impressão para quem conversa com você que tem todo o tempo do mundo para ouví-lo. Cabe aos assessores, “puxar” o candidato, pedindo inclusive a ajuda das pessoas com quem está falando, para que ele possa circular e encontrar-se com todos. Nunca mostre pressa, nunca olhe seu relógio, deixe para seus assessores a tarefa antipática de interromper os contatos para fazê-lo andar.

Procure cumprimentar pessoalmente o máximo possível de pessoas, é mais importante do que reuní-las num grupo para ouvir você falar, o que pode acontecer depois de ter circulado, conversado e cumprimentado as pessoas.

Se for fazer uma visita a um bairro, encontrando-se com as pessoas nas próprias casas delas, exija de sua assessoria antes do programa um detalhado planejamento do seu trajeto, do tempo que está previsto, do material de campanha para levar, e o envio prévio de pessoas para informar da sua chegada, e preparar o ambiente.

Chegando lá, vá de casa em casa (se “pular” alguma esteja certo que ganhou um inimigo). Caso não haja ninguém em casa, redija na hora um breve bilhete dizendo que esteve lá para conversar com eles e que espera contar com o apoio deles. Nas visitas às casas não se faça acompanhar de mais de uma pessoa. Evite entrar nas casas (entrar é fácil, difícil é sair), explique que tem muitas visitas a fazer e converse na porta. Evite também longas conversas. Você deve ter uma abordagem básica já treinada para um contato que seja breve, mas que não seja apressado.

Nas visitas às casas o ideal é conversar na porta, não entrar

Em cada casa deixe literatura de campanha, peça o voto e o apoio (“Preciso do seu voto…) e deixe para o assessor a tarefa de acertar, quando houver oferta do visitado, detalhes sobre sugestões de outras pessoas a contactar, endereços, disposição para colar cartazes, material de campanha para ele distribuir etc”.

Nas visitas a fábricas e empresas, esteja na porta da empresa antes do horário do início do expediente (nunca na saída, quando todos querem é ir logo para suas casas, nem no intervalo do almoço quando sua visita é um incômodo). No início do expediente, à porta da empresa, cumprimente, entregue literatura de campanha, e, iniciado o expediente vá embora.

Não se faça acompanhar dos donos da empresa durante o trabalho. Passa a impressão de que você é candidato do dono, está com os patrões, que lhe concedem este privilégio, e ainda interfere com o trabalho. Membros da família, sobretudo a mulher do candidato, podem também protagonizar contatos de alta intensidade. A mulher do candidato é percebida como a pessoa mais próxima dele. Falar com ela, ser ouvida por ela, é uma forma de chegar ao candidato.

Os procedimentos que devem orientar estes contactos são os mesmos já descritos para o candidato. A mulher do candidato é também, além dele, uma pessoa que pode persuasivamente dizer “Nós precisamos do seu voto…”.

Outros parentes já serão menos eficientes, embora possam ajudar junto aos grupos etários aos quais pertencem. Assim, os filhos do candidato podem procurar jovens, e os pais do candidato podem encontrar-se com os mais velhos. Finalmente, os cabos eleitorais do candidato podem também fazer contatos de alta intensidade, ainda que com muito menor impacto (sobretudo emocional) sobre os eleitores.

De qualquer forma, cabos eleitorais são pessoas que têm acesso direto ao candidato, são seus auxiliares, e portanto, são canais privilegiados de comunicação. Como o candidato e sua esposa, o cabo eleitoral faz um contato completo: ele ouve e fala. Numa campanha eleitoral, deve-se usar todas as possibilidades de contatos de alta intensidade, pela sua eficácia e por seu efeito multiplicador.

Fonte: Política para Políticos

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