Posições radicais de Donald Trump afastam líderes do partido

20160718080216960895iA Convenção Nacional Republicana, que ocorre entre hoje e quinta-feira, representa para Donald Trump a difícil tarefa de unificar um partido fragmentado por suas posições populistas e radicais. O magnata, que já se viu obrigado a entrar em um comício pelas portas dos fundos e foi ameaçado enquanto discursava, parece inflexível. “Nós teremos um grande período em Cleveland. Nós tornaremos a América grande novamente!”, publicou, no Twitter, ontem. O evento na cidade de Ohio, contudo, começa esvaziado, sem a presença de grandes nomes da oposição, como os ex-mandatários George H. Bush e George W. Bush e os ex-presidenciáveis Mitt Romney e John McCain. Uma ala do partido ainda busca um candidato alternativo, de opiniões mais moderadas.

Para tentar amenizar as discordâncias internas e de olho no eleitorado evangélico, Trump nomeou o governador de Indiana, Mike Pence, como vice de chapa. Uma jogada inócua, na opinião de analistas. Especialista de Estudos de Governo da Brookings Institution, em Washington, Thomas E. Mann diz que as principais posições do magnata estão “em desacordo com a ortodoxia dos republicanos”. “Mais importante do que isso, ele é visto amplamente como um demagogo egocêntrico, que ameaça não apenas o partido, mas o próprio tecido democrático do país”, alerta.

Existe consenso entre os republicanos de que Trump não vencerá as eleições de 8 de novembro. Muitos defendem que o partido arregace as mangas e trabalhe para manter a maioria na renovação do Congresso, em 2018, com vistas ao pleito presidencial de 2020. Para Wayne Steger, professor do Departamento de Ciência Política da DePaul University, em Chicago, o sucesso de Trump na convenção vai depender de seu poder de persuasão. “A questão é se ele vai ser suficientemente autodisciplinado para se focar em uma mensagem com a qual os delegados do partido fiquem contentes”, observa. “Não se trata exatamente de uma negociação. O partido está bem dividido, e Trump continua a dizer coisas que afastam os eleitores educados, principalmente os brancos de alta e de média rendas.”

Fonte: Correio Braziliense

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