Princípios de estratégia política (I)



estrategiaAs ações, declarações e procedimentos adotados pelos políticos buscam alcançar um objetivo: o poder.

Este texto trata daquela que é a questão central da dinâmica política: a estratégia, isto é, as ações, declarações e procedimentos adotados pelos políticos com vistas a alcançar o objetivo buscado: o poder. A estratégia política contudo não se subordina com facilidade a um conhecimento feito de certezas, como é o caso das ciências da natureza, (física e a química, por exemplo).

Trata-de de um conhecimento que se encontra muito distante das certezas da ciência. Muito ao contrário, a ciência e a prática política estão sempre a “correr atrás” da melhor estratégia, como se perseguissem sua própria sombra.

Por outro lado, estratégia também não se constrói com intuições, percepções e outras manifestações subjetivas. Tampouco podemos nos apoiar na experiência política para encontrá-la, e, menos ainda. usar exemplos do passado como modelos.

A frustrar todas essas tentativas, impõe-se o fato de que a estratégia política – na busca pelo encontro da melhor combinação de meios para alcançar os objetivos visados – deve conhecer, analisar, interpretar e prever uma realidade política que é incessantemente cambiante, gerada por uma multidão de vontades, mais ou menos livres/organizadas.

E, como se não bastasse, depois disso tudo, deve ainda ser capaz de adotar as ações certas, dentro de um timing adequado, provendo-as com os meios humanos e materiais necessários para que se produzam os efeitos desejados.

Conceber uma estratégia política é, pois, um exercício intelectual de grande complexidade.

Os profissionais mais valorizados da política são, exatamente, os que dominam a ciência e a arte da estratégia política. Homens como James Carville, David Axelrod, e Karl Rove, dos partidos democrata e republicano nos EUA, são contratados pelos Clintons, Obamas e Bushes porque detêm um conhecimento, uma sabedoria e uma sensibilidade que seus contratantes e futuros presidentes da república, não possuem!! No Brasil, entretanto, a maioria dos políticos acha que o problema nem é tão complexo assim. Tanto que, segundo eles, já possuem a sua estrategia e não precisaram de muito esforço para concebê-la. Com ela sabem o que querem, como consegui-lo, o que os adversários vão fazer etc. As coisas só não darão certo se o “seu pessoal” falhar, ou se faltar recursos…

Mais ainda. Há um generalizado preconceito contra a explicitação de uma estratégia para orientar uma campanha ou a trajetória de um governo. Segundo estes, a explícita adoção de uma estratégia traz consigo tendências de teorização e a rigidez.

Bem ou mal, todos os agentes políticos, trabalham com estratégias. Em muitos casos nem estão conscientes disso. Alguns usam estratégias auto-destrutivas, onde alguns dos componentes estão em frontal e irreversível guerra com outros (é o caso, por exemplo, do político cuja personalidade está em guerra com a imagem que pretende ostentar); outros (creio que a maioria) usam estratégias do tipo “ad hoc”, feitas de ações que buscam responder aos diferentes momentos e desafios do jogo político ajustando-se a decisões emocionais e impulsivas do líder; em outros casos a estratégia é defensiva, responsiva, sendo determinada pelas ações do adversário; em outros ainda ela é ignorada, aberta ou dissimuladamente, em troca de uma alegada “experiência” que se considera completa e atemporal.

Na campanha eleitoral são várias estratégias em disputa. A melhor é o resultado da eleição que diz

Olhadas com um olhar analítico se assemelham à caminhada trôpega de um embriagado, feita de tropeços, acelerações, paradas, indecisões e voltas.

O certo é que não se conquista nem se mantém o poder com estratégias implícitas, mal concebidas e incompetentes. E o mais grave é que: “Se você não tiver a sua estratégia, você é parte da estratégia de alguém.”

Na campanha eleitoral são várias estratégias em disputa. Qual a melhor? O resultado da eleição vai dizer.

Para quem está no exercício do governo o problema não é menor. Tem mais tempo para conceber e pôr em ação sua estratégia. Por outro lado seu tempo “de vitrine” é bem maior e terá que manter em ação por 4 anos, com correções periódicas, 3 estratégias políticas simultâneas: de curto, de médio e de longo prazo.

Fonte: Política para Políticos

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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