Qual é a função dos assessores durante a transição de governo?

Embora menos intenso do que uma campanha eleitoral, a transição de governo é, em si, algo extremamente complexo.

Com o fim do período eleitoral, a atividade política se volta agora para a transição de governo. Embora menos intenso do que uma campanha eleitoral, a transição de governo é, em si, algo extremamente complexo. Nesse sentido, a qualificação do assessoramento do candidato eleito é fundamental para que se possa ter um bom início de governo, bem como, para que o candidato eleito possa “surfar” por mais tempo na onda de uma imagem positiva gerada pela vitória nas eleições.

A qualificação dos assessores pode auxiliar na construção de um bom início de governo

O que a transição significa para o candidato eleito

Para o eleito, o período de transição é um lento ritual no qual a imagem do candidato vai, aos poucos, se transformando na imagem do governante. A dinâmica de uma campanha eleitoral faz com que os candidatos criem, com seus eleitores, laços de identidades a partir de uma característica singular explorada conforme o posicionamento da candidatura. Assim, por exemplo, o candidato que tenha se posicionado a favor da redução de impostos, cria laços de identidades com os eleitores que se sentem afetados pela carga tributária. Em outras palavras, os eleitores vêem no candidato alguém que, como eles (eleitores), é afetado pelo mesmo problema, e, portanto, terá coragem para realizar as mudanças necessárias.

Porém a realidade de uma campanha eleitoral é bem diferente da realidade do governo. Por mais “realistas” que tenham sido as promessas, há sempre um desencontro entre o que se pretende fazer e as possibilidades concretas para sua realização, o que produz um “choque de realidade”.

Tal choque se manifesta, geralmente, nos primeiros meses do novo governo, quando o candidato deixa de ser o depositário de esperanças, para ser cobrado de modo sistemático por eleitores e oposicionistas.

O significado da transição de governo para o assessor

Para a equipe que trabalhou na campanha eleitoral de um candidato vitorioso, o período de transição de governo significa a oportunidade para assegurar uma posição no novo governo. A equipe que assessorou o candidato durante a campanha eleitoral possui a vantagem de:

desfrutar da confiança do eleito
conhecer os planos de governo
conhecer a personalidade do novo governante

O trabalho de assessoria durante uma campanha eleitoral é algo que exige sintonia entre candidato e equipe. A equipe é responsável por propiciar ao candidato todas as condições para que este transmita aos eleitores sua mensagem. A equipe de campanha eleitoral também possui a tarefa de sistematizar as idéias do candidato dando consistência e complementando com detalhes aquilo que o candidato transmite para sua assessoria de forma genérica.

Por conta disso, a equipe que trabalha na campanha eleitoral ganha, geralmente, absoluta confiança do candidato que, uma vez eleito, também necessitará de assessores de confiança para montagem e coordenação do novo governo, e nada melhor para essa tarefa do que a equipe que conhece em profundidade os planos de governo.

Além desses fatores, a equipe de assessores que coordenou a campanha eleitoral teve a oportunidade de conviver com o candidato em momentos de “alta tensão”, e pode observar as características da personalidade íntima do novo governante, sua forma de “administrar” as situações difíceis, sua maneira de reagir à notícias desfavoráveis e sua reação diante de ataques dos adversários. Por tudo isso, durante a transição de governo, os assessores que já estiveram presentes na campanha eleitoral, estão aptos a conduzir de forma adequada as mudanças que estão presentes quando se passa da posição de candidato para a posição de governante.
Principais elementos que devem orientar o trabalho do assessor na transição de governo

Assessores que trabalharam na campanha em geral estão aptos a conduzir a troca da condição de candidato para governante

Dentre os principais elementos que devem merecer a atenção do assessor durante o período de transição de governo estão:

estrutura de governo
orçamento anual
previsão de receita
execução e andamento dos programas de governo

A estrutura de governo compreende todos os órgãos existentes na administração pública, não somente as secretarias mas também os departamentos, os núcleos de assessorias existentes nas secretarias, a relação de hierarquia e responsabilidades diretas e indiretas existentes no interior da máquina governamental, etc.

O conhecimento da estrutura de governo permite a execução eficiente das propostas que o novo governante pretende implementar. A partir desse conhecimento, o assessor pode começar a elaborar o conjunto de medidas a serem adotadas nos primeiros dias de governo, levando em conta obviamente, o orçamento anual.

É importante salientar que no primeiro ano de governo, o governante executa um orçamento planejado no governo anterior. Isso ocorre porque as leis que regulamentam a elaboração dos orçamentos públicos determinam que os orçamentos sejam apresentados aos legislativos de forma antecipada. Assim sendo, o orçamento do primeiro ano de cada novo governo é elaborado pelo governo que está encerrando o mandato. Tais orçamentos anuais são elaborados com base numa previsão de receita, ou seja, a previsão das despesas orçamentárias é feita a partir de uma previsão de quanto o governo estima arrecadar em impostos no ano seguinte. Por isso é fundamental que o assessoramento de transição de governo possa comparar a previsão de despesas com a previsão de receitas a fim de que o novo governante tenha uma idéia das ações que podem ser implementadas e dos ajustes necessários para que o governo não venha a gastar mais do que arrecada.

Um último elemento a ser observado diz respeito à execução e andamento dos programas de governo. Por programa de governo entende-se aqui ações específicas que não podem ser interrompidas com a mudança de governo. Imagine, por exemplo um programa de fornecimento gratuito de remédios para pessoas carentes. Esse tipo de programa exige procedimentos administrativos complexos como a destinação de verbas,assinatura de contratos com fornecedores, a fiscalização da distribuição dos medicamentos nos postos de saúde, etc.

Com um diagnóstico preciso do andamento desses programas, a assessoria de transição, não apenas garante a continuidade de um serviço essencial, como evita um desgaste que pode comprometer a imagem do novo governo. Estes são apenas alguns dos aspectos sobre o trabalho da assessoria no período de transição de governo. O fundamental é que, cabe ao assessor fornecer ao candidato eleito todas as informações para que este, aos poucos, vá se adaptando a uma nova realidade e a uma nova etapa de sua carreira.

Fonte: Política para Políticos

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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