Qual o papel da pesquisa política na campanha eleitoral?

A mais importante das transformações ocorridas nas campanhas eleitorais nos últimos tempos foi a inclusão da pesquisa política no seu núcleo central de estratégia e decisão. Hoje não mais se concebe uma campanha feita às cegas, baseada apenas na sempre discutível “experiência”, na intuição ou na improvisação.

Uma campanha que não possua um conhecimento preciso das opiniões e sentimentos dos eleitores e do acompanhamento de suas flutuações tende ao fracasso. A pesquisa política tem os instrumentos técnicos adequados para identificar as propostas aprovadas pelos segmentos decisivos do eleitorado, de cujo apoio depende a vitória. Além de proporcionar à campanha o seu eixo estratégico e permite utilizar, com a maior eficiência possível, os quase sempre limitados recursos que dispõe.

A realização de pesquisas ajuda a desenvolver um conhecimento exato de opiniões e sentimentos

Um programa completo de pesquisas

A moderna campanha eleitoral deve então ter um programa completo de pesquisas – quantitativas e qualitativas – correspondendo as suas diferentes fases. Na fase anterior à campanha propriamente dita, deve-se realizar a Pesquisa de Diagnóstico Político (benchmark poll) que funciona como o “marco-zero” da campanha e que fornecerá as informações vitais para definir o posicionamento da candidatura, seu foco e sua estratégia.

Nesta pesquisa, com um questionário expandido e uma amostra expressiva, busca-se conhecer as expectativas e prioridades do eleitor, os atributos positivos/negativos da imagem do candidato e de seus concorrentes, o grau de definição / indefinição das intenções de voto e os dados necessários para realizar a segmentação do eleitorado, visando identificar os segmentos decisivos de eleitores (target groups) dos quais depende a vitória.

Durante a campanha propriamente dita, deve-se realizar as Pesquisas de Tendência Política (pelo menos uma, se possível duas ou três), destinadas a aprofundar as descobertas da Pesquisa de Diagnóstico Político (com questionários menores, mas com amostras igualmente expressivas) cujos objetivos básicos são:

1 – permitir o “ajuste fino do foco” da candidatura

2 – avaliar os resultados da campanha até o momento de sua realização.

Na fase final da campanha (último mês) é desejável que se conduza a Pesquisa de tracking, pesquisa de periodicidade curta (diária ou semanal) que possui as mesmas características metodológicas das pesquisas de diagnóstico e de tendências. Por sua curta periodicidade este instrumento é dotado de alta sensibilidade para:

1 – medir as flutuações de curto prazo da opinião pública (em razão da dinâmica da campanha : fatos novos, programas eleitorais, debates) permitindo ao candidato realizar em tempo as correções estratégicas necessárias;

2 – orientar a campanha para o esforço final dos últimos 10 dias, identificando onde deve concentrar suas ações neste período crítico e final.

A grande vantagem do tracking está no fato de que ele assegura ao candidato o acesso à opinião do eleitor imediatamente após a ocorrência de fatos que possam afetar a sua candidatura, imediatamente após a veiculação de seu programa eleitoral e imediatamente após o debate do qual participou.

Pesquisas são feitas para produzir informações confiáveis do eleitor

Na maioria das situações, somente campanhas para governo do Estado, para o Senado e Câmara Federal, prefeituras de cidades grandes e Presidência da República terão condições financeiras para bancar um programa completo de pesquisas, como o delineado acima. Não se deve perder de vista, entretanto, o fato de que o que se busca com as pesquisas é a produção de informações confiáveis.

Mesmo as campanhas mais modestas necessitam, para ter sucesso, de informações confiáveis sobre o eleitor e sobre a dinâmica da campanha. Um programa completo e moderno de pesquisa é o melhor instrumento para se conseguir este objetivo. Se o orçamento de campanha não comportar esta despesa, entretanto, há vários procedimentos que, se forem adotados de maneira competente e sistemática, poderão subsidiá-la com as informações minimamente necessárias para removê-la do perigoso território do “palpitismo”, intuição e improvisação, e que estão ao alcance de qualquer campanha e de qualquer orçamento.

Fonte: Política para Políticos

COMPARTILHAR
Artigo anteriorSTF conclui cálculo das penas dos 25 condenados no mensalão
Próximo artigoAtendimento aos alunos especiais do CEE nº 1 será mantido
Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

*

code