Queda de popularidade de Dilma é alarmante



20150321225512Mais do que o baixo número de eleitores que aprovam o governo Dilma Rousseff — dados divulgados pelo Datafolha apontam que a avaliação péssima e ruim  do governo subiu de 44% para 62% de fevereiro para cá — o dado mais grave da pesquisa, segundo a socióloga Fátima Pacheco Jordão, é a rapidez com que o quadro se deteriorou e a homogeneidade da insatisfação, que chega regiões e setores da sociedade mais próximos à presidente.

Especialista em pesquisas de opinião, Fátima ressalta que a “aguda crise de opinião pública” não necessariamente reflete a situação do governo diante das crises que enfrenta, mas a avaliação que a população faz.

Segundo ela, a rapidez da mudança na opinião do brasileiro pode ser explicada, entre outros fatores, pela piora da situação econômica. “Nem sempre crises políticas e econômicas são sentidas pela população, mas neste momento está afetando o bolso, de maneira diferente, de todas as classes”, avalia.

A saída possível para o governo em uma situação delicada como a atual exige “respostas fortes”. A professora concorda que elas ainda não foram apresentadas desde que os opositores do governo foram às ruas no último domingo, mas vê as medidas adotadas até aqui como “um começo”.

Congresso também

Já de acordo com o professor da Fundação Getúlio Vargas Marco Antônio Carvalho Teixeira, a pesquisa Datafolha mostra que a situação do Congresso também é difícil. Com 9% de aprovação, o Congresso, apesar de não ter sido alvo direto das manifestações de domingo, terá de dar respostas à população e não poderá se dar ao luxo de travar projetos do Poder Executivo sob pena de “morrer abraçado” com o governo, avalia o cientista político.

“As manifestações expõem o Executivo, mas o Legislativo não está deixado de lado. O governo sai na frente com pacote anticorrupção e o Congresso não vai poder travar ações do Planalto”, avalia Teixeira.

“Nova direita” também quer ser protagonista

Em comum, eles se identificam como a “nova direita”, querem a saída da presidente Dilma e têm aversão a partidos políticos – o PT, principalmente. As lideranças que estiveram à frente das passeatas de 15 de março no Rio dizem não ter recebido nenhum tipo de apoio formal para as manifestações: cotizaram-se para financiar carros de som e faixas. Têm origens diferentes e divergem ao menos num ponto específico: a intervenção militar.

O publicitário Hermes Gomes, de 33 anos, é um dos fundadores do movimento União Contra a Corrupção (UCC). “Conheci a esquerda por dentro. Quando entendi o jogo político e o jogo da esquerda, me desiludi”, conta.

Daí, aproximou-se “da ala conservadora da direita”, diz ele. Nas redes sociais, Gomes encontrou quem compartilhasse das mesmas ideias. A UCC foi assim criada, e partiu para as ruas após a reação violenta da polícia paulista contra manifestantes em junho de 2013. “Ficamos nas ruas até que os arruaceiros tomaram conta das manifestações. A infiltração da esquerda tirou o povo de bem das ruas”, afirma. Ele diz que é contra a intervenção militar.

Protestos, por si, nada mudam

Apesar de legítimas, as manifestações que levaram milhões às ruas não devem ter força suficiente, neste momento, para provocar mudanças significativas nos rumos do País, especialmente porque Dilma já deixou patente sua deficiência para comandar este processo, avalia o cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Fábio Wanderley Reis. Em paralelo a isso, o especialista aponta que o País vive praticamente um apagão em termos de lideranças políticas que possam conduzir o barco neste momento de caos e recolocar a nação na rota do crescimento.

Na avaliação de Wanderley, o clima nacional piorou após a reeleição de Dilma: “Vivemos uma situação inédita, com desdobramentos pós-eleições onde o ódio, a animosidade e a frustração só crescem”.

Conjunção de fatores

1. Existe consenso: a situação se complica pela convergência de uma série de fatores negativos: a polarização política, a degringolada da economia, as acusações de estelionato eleitoral, a lentidão do governo e, enfim, protestos de rua.

2. Para Fábio Wanderley Reis o mais grave “é que não temos lideranças que possam cumprir o papel efetivo de ajudar a tirar o Brasil desta enorme crise. Nem mesmo os líderes da oposição estão cumprindo esta função”. Ele destaca destacando que mesmo no maior partido de oposição, o PSDB, não consegue vislumbrar este papel.

3. Ele considera “infeliz” a frase do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) que prefere ver Dilma “sangrar” nos próximos quatro anos a afastá-la do cargo. Sobre   Aécio Neves, que disputou o segundo turno das eleições presidenciais, o cientista político diz que ele tem sido ‘inepto, dúbio e oscilante”.

4. Para Fábio Wanderley, um dos caminhos que poderiam apontar para “a luz no fim do túnel desta crise” seria a tentativa de entendimento entre as duas maiores lideranças políticas do País, os ex-presidentes da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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