Reguffe: ‘Brasil precisa construir alternativa de centro, sem toma lá, dá cá’

Num movimento inédito, o senador José Antônio Reguffe (DF) passou os últimos três anos do seu mandato sem estar filiado a qualquer partido. Com uma trajetória independente, o parlamentar preferiu passar esse tempo todo “avulso” e manter a coerência do discurso político do que embarcar num projeto qualquer apenas para ter uma legenda. Há dois dias, Reguffe decidiu aceitar o convite do Podemos e assinou a ficha do partido, depois de receber a garantia de que teria direito a votar e se expressar da maneira que achasse melhor.

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Com a entrada de Reguffe, o Podemos passa a ter a segunda maior bancada do Senado, mas pode se tornar o maior partido da Casa até o fim do ano. Seus dirigentes têm conversas avançadas com pelo menos mais quatro senadores para que entrem na legenda. Para Reguffe, um dos atrativos para entrar no Podemos foi a possibilidade de participar da construção de um projeto político nacional de centro, mas distante das práticas de fisiologia. “Precisamos construir uma alternativa de centro, mas não do toma lá, dá cá”, disse ao BRP. A seguir, os principais trechos da entrevista:

BRP – O senhor passou os últimos três anos sem estar filiado a nenhum partido. Por qual motivo decidiu entrar no Podemos?

José Antônio Reguffe – “Foi o partido que me deu total liberdade de voz e voto, para que eu possa continuar representando meus eleitores com dignidade. Além disso, eu considero que o Brasil precisa construir uma alternativa de centro. Mas não de um centro fisiológico. Não do toma lá, dá cá. Não do Centrão. Mas sim de um centro democrático”.

BRP – O Podemos tem como representar essa liderança nacional de centro? O partido está em franca expansão no Senado e já é a segunda maior bancada da Casa com dez integrantes…

Reguffe – “Sim. Eu penso que precisamos, e o País precisa, construir uma alternativa de centro. Mas que seja diferente desse centro da barganha, das trocas políticas. Política é uma questão de convicção, não pode ser uma questão de negociação. Precisamos de um centro democrático, que discuta verdadeiramente a construção de um projeto de País”.

BRP – E como seria esse projeto do Podemos?

Reguffe – “Eu acho que seria um partido mais liberal na economia. Que defenda a responsabilidade fiscal. Porque um governo não pode gastar mais do que arrecada. Um partido que defenda a abertura da economia brasileira e o aumento da concorrência. Mas, ao mesmo tempo, tem que ser um partido que reconheça que esse é um País que tem desigualdades sociais profundas e que precisam ter uma intervenção do Estado com políticas sociais claras para reduzir isso. Esse seria o caminho. Um partido que fosse liberal na economia, mas que não perdesse a preocupação social num País que tem tantas desigualdades sociais como a gente tem no Brasil”.

BRP – O senhor tem apresentado propostas com reformas políticas, incluindo uma PEC que permite candidaturas avulsas, independentes de filiações a partidos. Isso muda com sua entrada no Podemos?

Reguffe – “Não muda de forma nenhuma. Eu disse claramente ao partido que vou continuar agindo do mesmo jeito que sempre agi. Inclusive, algumas vezes, vou votar contrariando a votação do partido. Mas vou votar sempre com a minha consciência pensando em representar com dignidade o meu eleitor. Pensando no que é o melhor para a população. Assim, eu voto. Na hora em que dou um voto, não penso se aquilo vai beneficiar ou prejudicar um governo. E sim penso se aquilo é bom ou ruim para a população. Todas as minhas oito PECs de reforma política que eu protocolei, incluindo aí a possibilidade de candidatura avulsa sem filiação partidária, eu vou continuar defendendo. Vou continuar defendendo uma reforma do nosso sistema político. E vou continuar defendendo que a política não pode ser um monopólio dos partidos políticos”.

Fonte: BR Político

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