Renan reage a possível inclusão na lista de Janot



renan-coletiva-lista-da-petrobras-joel-rodrigues8-8A lista com os nomes dos políticos envolvidos na operação Lava Jato, encaminhada na última terça-feira (03/03) pelo Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF), irritou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que teria tido seu nome incluído entre os investigados. Ontem pela manhã, durante coletiva, Renan negou que tenha sido informado com antecedência sobre a inclusão do seu nome. “Não tive qualquer informação sobre a lista”, declarou.

Oficialmente, Calheiros estaria irritado com a falta de comunicação entre o Palácio do Planalto e o PMDB. Peemedebistas queixam-se abertamente que o governo só chama o partido para bancar as medidas impopulares que vêm sendo adotadas para garantir o ajuste fiscal, mas não escuta a base antes de envia-las ao Congresso, deixando a conta do desgaste para os aliados. No entanto, nos bastidores, o comentário é que a irritação está relacionada ao fato do nome dele (Renan) não ter sido retirado da lista, enquanto que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teriam sido poupados.

Por causa disso, o presidente do Senado teria decidido devolver a Medida Provisória 669, que aumenta tributos na folha de pagamento das empresas, na última terça-feira. Renan também teria enviado recado à presidente Dilma de que não aceitará a indicação de um nome para a vaga deixada por Joaquim Barbosa no STF sem que seja ouvido antes.

Abertamente ninguém fala sobre a questão da lista. Reservadamente, alguns senadores  acham que Renan está correto.  “Ele é presidente do Congresso Nacional, um poder constituído tão importante quanto o Executivo. Por que teria que sofrer um desgaste desses enquanto ela (a presidente Dilma) é poupada? O tratamento deve ser igual para os dois”, argumenta um senador ouvido pela reportagem. Para ele, o presidente do Senado está deixando um recado claro: “Não vai para o sacrifício sozinho”.

A lista apresentada pelo procurador-geral ainda não foi divulgada oficialmente, mas a imprensa publicou que Renan teria sido informado com antecedência da inclusão do seu nome. “A divulgação dos trechos das delações premiadas está sendo feita de forma seletiva. Isso tem gerando muita especulação e ansiedade”, comenta outro senador, para quem o fato de não ter havido até agora qualquer desmentido sobre a inclusão do nome de Renan, tanto por parte do PGR quanto por parte do Supremo, é um forte indício de que isso seria verdade.

Alguns aliados do presidente do Senado acreditam que o governo teria exercido influência sobre Janot, com o objetivo de enfraquecer o PMDB, principal aliado do governo no Congresso. Por isso, Renan teria adotado uma estratégia mais firme, mostrando que poderá causar sérios problemas ao Planalto.

REUNIÃO

Ontem pela manhã a presidente Dilma Rousseff reuniu-se com os líderes da base aliada no Congresso Nacional e ministros do núcleo político e econômico. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), comentou que durante a reunião ficou acertado que a partir de agora todas as medidas adotadas pelo governo serão previamente discutidas com sua base no Congresso Nacional, com exceção das que possam impactar diretamente no mercado financeiro.

Costa anunciou ainda que o governo deverá iniciar uma nova fase, desta vez com agenda positiva, adotando medidas de incentivo ao desenvolvimento. “Teremos um plano nacional de estimulo à exportação, projetos na área educacional; o programa Mais Especialidade, na área da saúde, e uma nova etapa do programa Minha Casa, Minha Vida”, revelou.

Sobre a posição do presidente do Senado, Costa disse que isso não foi discutido durante a reunião. “Não entramos nesse debate, não avaliamos o que aconteceu até aqui. A conversa foi olhando para frente”. Ele disse que Dilma se limitou a apontar as necessidades que estão sendo tomadas para garantir o ajuste fiscal, mas acredita numa negociação em torno de alguns pontos que geram polêmica.

Por outro lado, a decisão de Renan Calheiros deu ânimo à oposição. O líder do Democratas, senador Ronaldo Caiado (GO), disse que agora irão trabalhar fortemente para que as MPs 464 e 465, que estabelecem novas regras para acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários, sejam derrubadas na Comissão Especial do Congresso que analisa as MPs.

Fonte: Fato Online

COMPARTILHAR
Artigo anteriorLei combate violência contra professores nas salas de aula
Próximo artigoGDF paga salários de fevereiro até sexta-feira
Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

*

code