Segmentação do eleitorado



Este é o mais eficiente procedimento da moderna tecnologia de campanha.

A segmentação do eleitorado é o mais eficiente procedimento da moderna tecnologia de campanha. Pode ser também um dos mais caros e complexos trabalhos realizados durante a eleição. A idéia básica por trás da prática e do conceito é a mesma.

Os eleitores que podem vir a votar no candidato são o “target” da campanha, o eleitorado alvo

O custo envolvido na conquista do voto varia dentro do eleitorado

– Eleitores que certamente votarão no candidato: o custo – tempo + recursos – de assegurar o voto destes eleitores é muito baixo e é preciso pouco esforço para mantê-los nesta determinação

– Eleitores determinados a não votar no candidato: o custo de conseguir persuadi-los a votar no candidato é muito alto, em certos casos proibitivo, dado a baixa probabilidade de sucesso

– Eleitores que podem vir a votar no candidato: na maioria dos casos o que reúne maior número de eleitores e para o qual o custo da persuasão, embora seja maior do que o do primeiro segmento, é bem menor que o do segundo

É dentro deste último segmento que se encontra o “target” da campanha, o seu eleitorado alvo, aquele que pode eleger o candidato nos casos (grande maioria) em que o primeiro segmento (eleitores já decididos a votar nele) não tiver suficiente expressão quantitativa para assegurar a vitória.

Esta grande divisão do eleitorado é comumente feita – ainda que de maneira mais ou menos intuitiva – pela maioria das campanhas. Na realidade, ela é apenas uma divisão genérica do eleitorado, está longe de uma segmentação.

O eleitorado deve ser encarado como se dispondo numa linha contínua, que vai do extremo da adesão incondicional ao da rejeição absoluta, passando por um ponto intermediário no qual são idênticas as probabilidades de votar ou não votar no candidato. Em torno deste ponto intermediário, encontram-se os eleitores indecisos, os indefinidos, e os que, embora pensem naquele momento votar em outro, admitem vir a votar nele.

O tamanho deste segmento intermediário varia em função das características políticas de cada candidato. Quanto maior for a sua rejeição, menor será o número de eleitores situados neste espaço intermediário, e dentro dele, maior será o número de eleitores posicionados mais próximos ao pólo da rejeição. Inversamente, quanto menor a rejeição, maior deverá ser o tamanho deste segmento, e maior o número de eleitores posicionados mais próximos ao pólo da adesão.

Características políticas de cada candidato determinam segmento

Por estas razões é que a maior parte do tempo e recursos que a campanha dispõe é gasto no esforço de persuadir estes eleitores. Na verdade, é para eles que se faz a campanha. Não faz sentido gastar os sempre limitados recursos para tentar conquistar eleitores que já estão decididos a votar no candidato (embora não poucas vezes as campanhas caiam nesta armadilha), nem tampouco com aqueles que de maneira alguma admitem votar nele. É somente no grupo intermediário que a relação custo/benefício revela-se favorável. Entretanto esta divisão genérica é pouco operacional. É preciso avançar mais um passo e realizar a segmentação deste eleitorado.

Mediante o uso inteligente e especializado das pesquisas de survey (quantitativas) logra-se identificar, classificar e medir estes eleitores:

demograficamente (sexo, idade, etnia, região, religião);
sociologicamente (renda, escolaridade, ocupação);
politicamente (partido, ideologia, rejeições)
atitudinalmente (valores, opiniões, prioridades, crenças)

De posse destas informações, é possível descobrir, com grande precisão, quem é o eleitor potencial decisivo para a vitória, onde ele se encontra, qual a probabilidade de ele vir a votar no candidato, e o que ele pensa: suas opiniões, valores, prioridades, temores, esperanças e atitudes.

A moderna campanha eleitoral dirige a sua propaganda, seus projetos, a atenção do candidato, o discurso da candidatura, preferencialmente para aqueles eleitores que a segmentação demonstrou serem os decisivos para a vitória. A segmentação do eleitorado então é indispensável para a definição de uma estratégia vencedora e para o uso mais eficiente dos recursos de campanha.

Uma campanha eleitoral basicamente se reduz a comunicar a mensagem certa para os eleitores que podem votar no candidato. A segmentação do eleitorado, ao identificar, quantificar e caracterizar os eleitores potenciais, constitui-se no mais poderoso instrumento da moderna tecnologia de campanha.

Fonte: Política para Políticos

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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