Simpatizantes de Hillary buscam apoio de Sanders para impulsionar campanha

20160609071741540506aDepois de Hillary Clinton cantar vitória na disputa pela nomeação democrata para a corrida à sucessão presidencial, as atenções se voltaram para o jogo de sedução entre a campanha da ex-secretária de Estado e do senador Bernie Sanders. Enquanto os simpatizantes de Hillary buscam conquistar o apoio do senador progressista e dos eleitores, Sanders deve tentar barganhar espaço na campanha para as eleições gerais de novembro. Hoje, ele é esperado na Casa Branca para uma reunião com o presidente Barack Obama. A expectativa é de que o mandatário atue como conciliador.

Apesar de Sanders não ter dado sinais de que se dará por vencido antes da convenção nacional democrata — que deve ocorrer entre 25 e 28 de julho, na Filadélfia —, a movimentação do senador indica que as tratativas sobre uma possível declaração de apoio à ex-secretária de Estado estão a todo vapor. Em sua página no Twitter, o senador deu sinais de que o ponto de congruência entre as duas campanhas deve ser o combate ao virtual candidato republicano Donald Trump. “Não permitiremos que os republicanos da direita controlem o nosso governo. Isso é especialmente verdade com Donald Trump como candidato republicano”, escreveu. Segundo Sanders, no começo da campanha, sua candidatura era considerada minoritária, mas essa noção “mudou um bocado”. “Devemos lembrar que mudanças quase nunca ocorrem do topo. Eles acontecem de baixo para cima”, escreveu.

No discurso em que comemorou a conquista do número mínimo de delegados para assegurar a nomeação governista, Hillary fez questão de elogiar o “extraordinário” desempenho do concorrente e de enaltecer as propostas e críticas levantadas por ele durante a campanha.

A aproximação entre os dois aspirantes à presidência, no entanto, é delicada. O senador, que se autodefine como “socialista democrata”, sustentou a campanha com um discurso crítico ao sistema político norte-americano e à influência de grandes fortunas nas campanhas. Embora Hillary tenha como trunfo o ineditismo de ser a primeira mulher a disputar o comando do Executivo por um grande partido, parte dos eleitores de Sanders a enxergam como um símbolo do establishment político americano.

Unificação

David Andersen, professor de ciência política da Iowa State University, observa que a determinação de Sanders de permanecer na disputa até a convenção nacional é incomum nos processos de escolhas de candidatos às eleições. “Ele está prestes a se tornar muito influente no partido se ele trabalhar para unificar seus apoiadores ao redor de Hillary, mas pode ser marginalizado, se continuar a atacá-la”, pondera.

Segundo o jornal The Washington Post, nomes de peso do partido — como o vice-presidente, Joe Biden; a senadora Elizabeth Warren; o líder da bancada governista no Senado, Harry Reid; e o próprio presidente Obama — devem desempenhar papéis-chave para promover a unificação das bases eleitorais. A reunião entre Obama e Sanders foi solicitada pela equipe do senador, segundo informações da Casa Branca. Os dois haviam se falado por telefone no domingo. Na noite de terça-feira, o presidente ligou para Sanders e para Hillary, a fim de parabenizá-los pelas “campanhas inspiradoras”.

Apesar de a declaração de apoio de Obama a Hillary ser esperada para os próximos dias, a Casa Branca indicou que nenhum anúncio deve ser feito antes do encontro entre o presidente e o senador. Biden contribui para o cortejo a Sanders publicamente, ao afirmar, em sessão conjunta do Congresso, que os democratas deveriam ser “gratos” ao pré-candidato e considerar que caberia a ele decidir o momento de assumir a derrota. Em um e-mail enviado aos seguidores ontem, Sanders reitera que “a batalha continua”. Apesar de ele continuar a pedir doações de campanha, o jornal The New York Times informou que sua equipe deve ser reduzida pela metade.

Elogios
da oposição

O discurso de vitória da virtual candidata à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, recebeu elogios até de membros da oposição. O ex-líder da bancada republicana na Câmara dos Deputados Newt Gingrich considerou “espetacular” a fala da ex-secretária de Estado. “Nenhum conservador e nenhum republicano deve presumir que ela será fácil de superar”, observou. Para Gingrich, o discurso de Hillary foi “bastante eficiente”, e a campanha de Donald Trump deveria se preocupar em como lidar com a concorrente. O atual secretário de Estado americano, John Kerry, reagiu ao discurso considerando que a democrata é uma “grande candidata” e pode ser uma “presidente fantástica”.

Forças e fraquezas

Hillary e Trump pertencem à mesma geração, mas estão em dois polos distintos na corrida pela Casa Branca. Os candidatos virtuais dos partidos Democrata e Republicano trilharam caminhos marcados por posições políticas particulares a cada um

HILLARY CLINTON

Preparada, mas pouco querida

Primeira mulher

“Se Hillary Clinton vencer, serão dois presidentes seguidos que não terão sido homens brancos”, destaca Jennifer Lawless, especialista sobre temas de mulheres na política da American University. Ao assumir o papel de pioneira, Hillary pode maximizar a participação das mulheres democratas e de alguns homens. “É necessário um toque feminino”, comentou o ator Ryan Gosling à revista Evening Standard. “Na minha casa, agora, quase todos são mulheres. Elas são melhores que nós. Tornam-me melhor”, acrescentou.
Currículo
Quando ainda se chamava Hillary Rodham, ela se envolveu na causa das mulheres e das crianças. Advogada brilhante, se converteu na companheira política de Bill Clinton, antes de se lançar, com seu próprio nome, e de se tornar senadora e secretária de Estado. “Agora mesmo não há ninguém mais qualificado que ela para ser presidente”, afirmou a investigadora criminal Linda Rosel, admiradora da democrata.
Escândalos
A experiência vem acompanhada de problemas mais ou menos manipulados pelos republicanos, que forjaram, desde a década de 1990, a imagem de uma mulher com amizades suspeitas e uma ética errante. Desde o caso imobiliário “Whitewater”, do qual os Clintons foram absolvidos, ao de e-mails privados que Hillary usou em sua passagem pelo Departamento de Estado e que lhe valeu uma investigação do FBI, as histórias contribuíram para fazer dela a candidata democrata mais impopular da história recente. “Quando uma pessoa é atacada tanto quanto ela por defender convicções, acaba pagando um preço”, alegou Robby Mook, seu diretor de campanha.
Oratória

“Não tenho um dom inato para a política, caso não tenham notado, diferentemente do meu marido ou do presidente Obama”, admitiu Hillary Clinton, em março. Seus discursos, com frequência, são exaustivos e detalhados, mas positivos. No entanto, os americanos elegeram anteriormente um presidente com uma capacidade oratória medíocre; o general Dwight Eisenhower, em 1952.

Fonte: Correio Braziliense

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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