Um programa completo de pesquisa I

pesquisaAlém do diagnóstico, as pesquisas podem ajudar a encontrar o foco da campanha.

No caso de uma campanha com recursos suficientes para bancar um programa completo de pesquisas, o recomendável é a contratação dos serviços de um instituto de pesquisa reconhecido por sua qualificação, experiência e idoneidade. Mas, apesar disto, a campanha deve também ter alguém com bastante conhecimento de pesquisa (em geral, um cientista político) para produzir, sob medida, os questionários e interpretar seus resultados.

Campanhas que têm recursos financeiros suficientes podem contratar institutos de pesquisa

Nesta campanha “rica”, além da pesquisa de diagnóstico, destinada a definir o posicionamento da candidatura e o seu foco, serão realizadas outras pesquisas – quantitativas e qualitativas (focus groups) – destinadas a checar a eficiência da sua publicidade (programas de TV e rádio, slogans, comerciais) permitir a segmentação do eleitorado e aprofundar a temática abordada na pesquisa de diagnóstico.

A pesquisa política possui os instrumentos técnicos adequados para identificar as propostas aprovadas pelos segmentos decisivos do eleitorado, de cujo apoio depende a vitória. Isto proporciona à campanha o seu eixo estratégico, permitindo-lhe então utilizar, com a maior eficiência possível, os sempre limitados recursos que dispõe.

A moderna campanha eleitoral deve, então, desde que possa possuir um programa completo de pesquisas – quantitativas e qualitativas – correspondendo às suas diferentes fases. Na fase anterior à campanha ou no seu início, deve-se realizar a Pesquisa de Diagnóstico Político (benchmark poll) que funciona como o marco-zero da campanha e que fornecerá as informações vitais para definir o posicionamento da candidatura, seu foco e sua estratégia.

Neste tipo de pesquisa, com um questionário expandido e uma amostra expressiva, busca-se conhecer as expectativas e prioridades do eleitor, os atributos positivos/negativos da imagem do candidato e de seus concorrentes, o grau de definição /indefinição das intenções de voto, e os dados necessários para realizar a segmentação do eleitorado, visando identificar os segmentos decisivos de eleitores (target groups) dos quais depende a vitória.

Durante a campanha propriamente dita, deve-se realizar as Pesquisas de Tendência Política, com questionários menores, mas com amostras igualmente expressivas (pelo menos uma, se possível duas ou três), destinadas a aprofundar as descobertas da Pesquisa de Diagnóstico Político e cujos objetivos básicos são:

1 – permitir o “ajuste fino do foco” da candidatura;

2 – avaliar os resultados da campanha até o momento de sua realização

Na fase final da campanha (ultimo mês) é desejável que se conduza a Pesquisa de Tracking. Este levantamento tem periodicidade diária e possui as mesmas características metodológicas das pesquisas de diagnóstico e de tendências, iniciando na semana em que começam os programas eleitorais gratuitos no rádio e na TV. Por meio deste tipo de pesquisa, a avaliação da propaganda é feita praticamente em tempo real, além de permitir acompanhar, dia-a-dia, a curva de intenção de voto. Por sua curta periodicidade este instrumento é dotado de alta sensibilidade para:

Pesquisa de tracking consegue medir a evolução da intenção de voto e o foco de uma campanha

medir as flutuações de curto prazo da opinião pública, sobretudo a evolução da intenção de voto, rejeição, firmeza da decisão, segunda intenção de voto;

avaliar o desempenho e os resultados das peças da publicidade da campanha junto ao eleitorado;

avaliar o impacto de fatos novos como programas eleitorais, debates, denúncias, acusações, revelações, permitindo ao candidato realizar em tempo as correções e ajustes estratégicos necessarios;

orientar a campanha para o esforço final dos últimos 10 dias, identificando onde deve concentrar suas ações neste período crítico e final.

A grande vantagem do tracking está no fato de que ele assegura ao candidato o acesso à opinião do eleitor imediatamente após a ocorrência de fatos que possam afetar a sua candidatura, imediatamente após a veiculação de seu programa eleitoral. Ou logo após o debate do qual participou.

É óbvio que, na maioria das situações, somente as campanhas dos principais partidos para Governo do estado, para o Senado e Câmara Federal, Prefeituras de cidades grandes e Presidência da República, terão condições financeiras para bancar um programa completo de pesquisas, como o delineado acima.

E quem não tem dinheiro para pagar uma pesquisa?

Campanhas ricas são poucas. Ocorrem nas capitais e maiores cidades do estado e são exclusivas dos principais partidos. Há também o caso do candidato que possui recursos pessoais que lhe permitem bancar uma campanha rica. No conjunto do país, porém, são algumas poucas centenas de campanhas que se qualificam como “ricas” ou “confortáveis”. É necessário uma excelente preparação – do ponto de vista financeiro – para poder bancar um programa completo ou econômico de pesquisas.

Na quase totalidade das campanhas os candidatos não têm acesso a estes dois tipos de programas de pesquisas.

O que fazer nestes casos?

1. Tente levantar recursos para fazer a pesquisa-diagnóstico

Há certos casos em que, se for feito um esforço extra para a captação de recursos, é possível fazer-se pelo menos uma pesquisa-diagnóstico. Vale a pena tentar este esforço extra.
2. Lance mão dos recursos locais

A equipe deve estar empenhada na busca da informação correta

Talvez você consiga um apoiador com formação em pesquisa, um cientista político, um sociólogo, que seja capaz de reunir uma equipe, treiná-la e assim encarregar-se de sua pesquisa. Nestes casos, você talvez tenha que pagar apenas o profissional que vai extrair a amostra e que seu apoiador cientista político, se não conhecer, terá meios de descobrir. Uma outra situação é aquela em que existe uma Universidade ou Faculdade, com curso de Ciências Sociais, numa cidade perto da sua. É possível que eles tenham uma equipe de pesquisa, ou um professor treinado em pesquisa, que poderá fazer uma pesquisa para você a preço muito mais barato daquele cobrado pelos institutos.

Fonte: Política para Políticos

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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