Voluntários: ajudam ou atrapalham?



Se não forem bem coordenados, eles podem complicar mais do que auxiliar na campanha.

Há, basicamente, dois tipos de voluntários nas campanhas eleitorais: os profissionais e os amadores. Os primeiros destinam parte do seu tempo às atividades de campanha, de forma voluntária e gratuita para apoiar o candidato.

Os voluntários podem se ocupar de tarefas coletivas dentro da estrutura geral da campanha

Estes são amigos do candidato, ou amigos dos amigos que se ocupam de tarefas individualizadas dentro da estrutura geral da campanha. São profissionais como um contador que se torna tesoureiro da campanha, um médico que forma um grupo especializado para subsidiar a campanha na área de saúde, um advogado que assume a consultoria jurídica, e tantos outros que reúnem especialização profissional e confiança pessoal.

Os amadores são pessoas, em geral sem qualificação específica e sem relacionamento pessoal com o candidato. Eles se dispõem a trabalhar na campanha por identidade com a candidatura, por relações pessoais com indivíduos envolvidos na campanha, ou pelo mero prazer lúdico de participar de uma disputa eleitoral.

Estes são em geral jovens, estão disponíveis para todo o tipo de tarefas, e podem atingir dezenas, centenas ou milhares de indivíduos. Voluntários, por definição, são trabalhadores gratuitos. Como tal, a pergunta que dá título a esta coluna pareceria despropositada.

Qualquer campanha receberia de bom grado pessoas dispostas a trabalhar sem remuneração. Porém, realidade não é tão simples.

Em primeiro lugar não é rigorosamente verdadeiro que eles sejam gratuitos. Os voluntários amadores acarretam despesas para a campanha, não despesas pessoais de remuneração, mas sim despesas operacionais.

Em segundo lugar, é preciso montar para eles uma estrutura própria, dentro da campanha para poder usá-los produtivamente. Sem tarefas definidas para eles realizarem, sem recursos suficientes para dar-lhes o necessário apoio logístico (transporte, alimentação, material etc) e sem uma estrutura responsável pelo seu recrutamento, treinamento, operação e acompanhamento do trabalho, é preferível não organizar um movimento de voluntários, porque mais atrapalharão do que ajudarão na campanha.

A primeira peça dessa estrutura, e a mais importante, é o coordenador do movimento de voluntários. Para esta função, que deve ser remunerada, será necessário escolher uma pessoa especial.

Deve gostar de pessoas, saber organizar trabalhos em grupo, e deve ser sobretudo muito organizado, e muito perceptivo (capaz de entender as pessoas, identificar talentos e “sacar” motivações). Deve ser um idealista, mas não pode ser ingênuo, deve ser acessível e sociável, sem perder a autoridade de disciplinador, deve cuidar de detalhes sem ser detalhista. O coordenador vai recrutar voluntários, atribuir-lhes tarefas, cobrar resultados, manter o moral e o entusiasmo elevados, resolver questões pessoais, e assegurar que sempre há trabalho por fazer (nada é pior para o movimento do que voluntários sem ter o que fazer).

O coordenador deve estimular os voluntários na participação

Além disso, o coordenador é também um caçador de talentos. Dentre os voluntários ele encontrará pessoas que possuem qualificações especiais e valiosas : pessoas que redigem muito bem, fotógrafos amadores, jovens que sabem tudo sobre som, oradores, auxiliares de pesquisa, músicos, artistas, etc.

Estes voluntários podem então ser deslocados do movimento, para assumir responsabilidades definidas na campanha, o que vai significar, além do enriquecimento do trabalho uma considerável economia. Os demais serão destinados primordialmente às atividades de contato com o eleitor: panfletagem nas ruas, trabalho porta a porta, participação nos atos públicos da candidatura, comunicação por telefone com eleitores, envelopar malas diretas, recrutar outros voluntários, ajudar no QG da campanha, e muitas outras atividades que surgem no cotidiano do processo eleitoral.

Voluntários são trabalhadores gratuitos, mas não são escravos, nem militantes do partido. É fundamental que seu moral e entusiasmo mantenham-se altos por toda a campanha. Para isto o que pedem, mais que qualquer outro incentivo, é o reconhecimento. Precisam saber que seus esforços são conhecidos e apreciados.

Neste sentido, encontros periódicos do candidato com eles, para agradecer o esforço, informar sobre o andamento geral da campanha, e o papel importante que eles estão tendo, contribui muito para que se sintam partes integrantes da disputa eleitoral.

Não se esqueça nunca que, se você vencer, não os levará consigo para as novas funções, mas, quando tiver que disputar outra eleição, gostará muito de tê-los ao seu lado.

Fonte: Política para Políticos

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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