Da redação
Desde o fim dos anos 1990, pesquisadores cultivam neurônios humanos em matrizes de microeletrodos (MEAs) para estudar como essas células formam redes e reagem a estímulos elétricos. Nos anos 2000, já era possível condicionar essas redes neurais cultivadas a realizar certos comportamentos por meio de estimulação repetida, embora ainda sem fins práticos em computação.
O avanço significativo ocorreu em 2021, quando a empresa australiana Cortical Labs realizou o experimento DishBrain. O objetivo era fazer com que os neurônios, além de responderem a estímulos, recebessem feedback sobre suas ações. Para isso, usaram o videogame “Pong”, de 1972, como ferramenta de interação.
Recentemente, a Cortical Labs inovou mais uma vez ao criar o CL-1, um computador biológico híbrido formado por cerca de 200 mil células cerebrais humanas cultivadas sobre um microchip. O sistema foi capaz de jogar “Doom”, clássico jogo de tiro em primeira pessoa lançado em 1993, demonstrando a capacidade dos neurônios de se adaptarem a ambientes virtuais complexos.
O desafio técnico envolveu traduzir os eventos do jogo para sinais elétricos compreensíveis pelas células neurais, que, ao receber estímulos direcionados, aprenderam a agir de modo funcional — como atirar ou se mover, sem programação direta, apenas por feedback. O CL-1, mesmo com desempenho de um iniciante (“noob”), aprendeu a jogar mais rápido que muitas inteligências artificiais tradicionais, que exigem milhões de partidas simuladas.
Esse progresso evidencia que a fusão entre tecido cerebral e hardware, chamada de wetware, permite unir a plasticidade e eficiência energética biológica à precisão do silício. O experimento sugere que sistemas híbridos podem oferecer soluções inovadoras para os limites atuais da computação convencional.








