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Jesus Cristo, Lula e Bolsonaro exaltaram os humilhados, mas o Diabo saiu vencedor

Por Dani Braga

Jesus Cristo advertiu aos ricos, tomados pelo orgulho e pela vaidade, que a humildade era a porta do reino dos céus. Lula, em seus dois primeiros mandatos, ficou conhecido como pai dos pobres, pelos programas sociais que tiraram o Brasil do mapa da fome (fama que o ajudou na sua eleição apertada em 2022). Bolsonaro alçou ao comando do país um séquito de políticos desprezados pela mídia, ignorados nas redes sociais e que se tornaram os donos do Brasil a partir de seu governo: o baixo clero do Congresso Nacional.

À medida que a “irreverência” do candidato antissistema, Jair Bolsonaro, fez do Palácio do Planalto um eterno palanque, o parlamento foi ganhando destaque.

Não pela inabilidade de Bolsonaro em se comunicar com seu eleitorado, muito pelo contrário. Ele seguia com a receita que nocauteou o campo progressista em 2018 — conteúdos com aparência de menos profissionais (que são mais compartilháveis), lives, valorização dos apoiadores (o próprio Jair Messias liga para parabenizar o empenho de gestores de grandes comunidades/grupos de WhatsApp/canais de Telegram), mobilização centralizada num único canal (o seu Telegram) e mensagem clara.

Acontece que sobrava habilidade para falar com seu eleitor, e faltava para dialogar com o Congresso Nacional. Conforme o governo se enrolava em suas crises, o legislativo abocanhava uma fatia cada vez maior (em especial aqueles parlamentares do baixo clero). Foi assim que surgiram o orçamento secreto, a farra das emendas Pix e uma fome cada vez maior dos “aliados” por cargos.

Esse movimento gerou duas grandes consequências: Bolsonaro não foi reeleito, já que o centrão não carrega caixão (abandonou o barco logo que viu sua gestão naufragar), e o Brasil ficou mergulhado em um quase semipresidencialismo.

Lula tornou-se um presidente enfraquecido em seu terceiro mandato e está vendo sua imagem de pai dos pobres ser corroída, junto com a renda do brasileiro, pela inflação. Na última pesquisa DataFolha sua aprovação parou de cair, mas não subiu nenhum dos amargos 11% que perdeu do ano passado para cá.

Ironicamente, apesar de não ser coveiro, Bolsonaro cavou a própria cova. Mas não quis ir sozinho. Seu governo provocou mudanças políticas profundas na relação entre executivo e legislativo. Os presidentes pós Jair Messias terão o desafio de não serem coadjuvantes do próprio governo.

Diante dessa missão, por enquanto, o PT segue no vermelho, mas pode dar a volta por cima. Afinal de contas, Lula sabe como ninguém se reinventar em cenários adversos e vencer eleições difíceis. E ele sabe que para triunfar precisa vencer também seu maior inimigo hoje: a inflação dos alimentos. Que derrubou a aprovação do seu governo entre os mais pobres, segundo pesquisa DataFolha.

O Diabo olha para isso tudo e sorri. Pensando em como Jesus ainda não percebeu que o humilhado que merece mesmo ser exaltado em Brasília é o Dog da Igrejinha.

Dani Braga – Estrategista política e digital com quase 20 anos de experiência, jornalista e palestrante.