Coluna do Gianelli | Direita desunida pode entregar o Senado de bandeja à esquerda

Por Sandro Gianelli

A direita do Distrito Federal tem em mãos a chance histórica de conquistar as duas vagas ao Senado em 2026. Mas, estão treinando para jogar tudo no lixo. A vaidade pessoal, a fome de protagonismo e a eterna disputa de egos entre figuras do mesmo espectro ideológico ameaça transformar uma vitória estratégica em mais uma derrota anunciada.

De um lado, Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) se movimentam de olho na cadeira vermelha do Senado. Do outro, Sebastião Coelho (Novo) — que tem prestígio entre os mais ideológicos, mas nenhuma chance real de vitória fora da bolha. Enquanto isso, o governador Ibaneis Rocha, com altíssima aprovação popular e um governo reeleito em primeiro turno, assiste a essa guerra de vaidades dentro de um grupo que ele sempre acolheu e representou, do seu modo.

A pergunta que não quer calar: por que o PL, que governou com Ibaneis durante dois mandatos, cogita rifar seu nome em nome de um projeto pessoal de poder? Será que esqueceram que, no auge do caos de 8 de janeiro, foi ele quem pagou a conta política que muitos bolsonaristas se recusaram a dividir? Ibaneis, por tudo o que representa e pelo apoio que tem no DF, não apenas pode — mas deve — ser um dos nomes eleitos ao Senado.

O outro nome? Que decidam. Mas se a turma da direita continuar brincando de sabotagem, a esquerda, com Leila Barros (PDT) e Érika Kokay (PT), agradece e marcha unida rumo a pelo menos uma cadeira.

IBANEIS OU SEBASTIÃO?

A filiação de Sebastião Coelho ao Novo é o típico movimento que confunde mais do que contribui. Ele pode até agradar os bolsonaristas raiz, mas não tem musculatura eleitoral para ser competitivo. Sua candidatura tende a fragmentar a direita e beneficiar, adivinhe quem? A esquerda. A pergunta que ecoa nos bastidores é: será que Bolsonaro vai sacrificar Ibaneis por um nome mais ideológico — e menos viável?

MICHELLE, BIA OU TRAIÇÃO?

Dentro do PL, o clima é de disputa interna. Michelle Bolsonaro ainda é uma incógnita — pode disputar o Senado, a Presidência ou ser vice de alguém. Enquanto isso, Bia Kicis sonha alto e aguarda uma bênção clara do partido e a unidade do grupo político. A maior traição seria o PL abandonar Ibaneis, que nunca foi adversário e sempre abriu espaço para os bolsonaristas em seu governo.

QUEM TEM VOTO?

A verdade que ninguém quer encarar: Ibaneis tem voto. Diferente de outros nomes, o governador tem capilaridade, estrutura e histórico de entrega. O povo do DF conhece e confia. A direita precisa decidir se quer vencer ou apenas marcar posição.

O PL E A GRATIDÃO

O PL ocupou cargos, emendas e espaços nos dois mandatos de Ibaneis. Agora, parece querer ignorar esse passado em nome de projetos pessoais. A base bolsonarista que prega tanto sobre valores deveria lembrar do mais básico: gratidão.

CURTAS

Michelle incógnita

A primeira-dama segue sem definição sobre seu futuro político.

Bia em campanha velada

A deputada tem feito movimentações nos bastidores como pré-candidata ao Senado.

Sebastião animado

Mesmo sem base popular sólida, o ex-desembargador acredita que poderá ser o “nome puro” da direita.

Ibaneis firme

Apesar das traições em potencial, o governador não recua de disputar o Senado.

SEM FILTRO

Bolsonaro tem chances de bater no peito e afirmar que ajudou a construir a vitória de dois senadores pelo DF, ou amargar e assistir, de camarote, à esquerda elegendo uma senadora. Quem viver, verá!