Da redação do Conectado ao Poder
A cúpula destacou a importância do multilateralismo e evitou menções diretas aos Estados Unidos e Israel.

A declaração final do Brics, divulgada nesta semana, aborda importantes temas globais, incluindo conflitos, comércio e meio ambiente. O documento destaca a defesa do multilateralismo e a necessidade de reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas apresenta críticas brandas em relação à atuação de países como os Estados Unidos e Israel.
A declaração foi resultado de uma reunião de líderes do Brics e contém 126 parágrafos. O bloco expressou preocupação em relação ao conflito no Irã e a situação na Palestina, ressaltando que a obstrução à ajuda humanitária nos territórios ocupados é alarmante. O texto afirma: “Reiteramos nossa profunda preocupação com a situação no Território Palestino Ocupado, diante da retomada de ataques contínuos de Israel contra Gaza”.
Os líderes também condenaram medidas protecionistas, referindo-se ao aumento de tarifas sem mencionar diretamente Donald Trump. A carta enfatiza a importância de um sistema comercial multilateral baseado em regras que seja justo e inclusivo.
Além disso, o Brics reiterou a relevância da cooperação entre países do Sul Global. O bloco está se consolidando como uma voz influente nesse contexto, principalmente com a inclusão recente de novos membros, como Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Esta expansão aumentou o peso diplomático do Brics, ajudando a moldar a agenda internacional.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em sua intervenção durante a cúpula, destacou a fragilidade do multilateralismo e o papel que o Brics deve assumir na construção de uma nova ordem internacional. Ele argumentou que, diante dos conflitos, é urgente resgatar a credibilidade de organizações como a ONU e o Conselho de Segurança.
Em tom crítico, Lula mencionou que a recente decisão da Otan de incentivar gastos militares é um reflexo da priorização de investimentos em guerra em detrimento da paz. “É sempre mais fácil investir na guerra do que na paz”, concluiu, enfatizando a necessidade de direcionar recursos para enfrentar desafios globais, como a pobreza e as mudanças climáticas.
A cúpula do Brics, que ocorreu no Rio de Janeiro, contou com ausências notáveis, como a do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e do líder da China, Xi Jinping. Enquanto Putin estava representado por enviados, Xi optou por não comparecer, uma decisão que analistas consideram estratégica em meio a crescentes tensões com os Estados Unidos.





