Em sua defesa apresentada por envolvimento com a Operação Lava Jato, ex-vice-presidente da Engevix Gerson Almada afirma que Petrobras vive há 12 anos “uma cultura de achaque”.
O ex-vice-presidente da Engevix Gerson Almada afirmou, em sua defesa prévia apresentada ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, que o esquema montado na Petrobras constituía uma representação do “verdadeiro método de governar” do PT. “A Petrobras não é vítima de uma organização criminosa. Seu controlador, o governo, a colocou nas mãos da organização constituída para fins ilícitos, uma vez que controlada por agentes que possuíam, desde o início, fins escusos, aptos a praticar ilícitos, com objetivo de se perpetuarem no poder com aval do sistema político-partidário”, afirma a defesa do empresário em relação ao PT e à Operação Lava-Jato.
Almada é acusado pelo MPF (Ministério Público Federal) de ter pagado propina ao ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu para a obtenção de contratos na Petrobras. Além disso, o MPF também afirma que a empresa usou recursos desviados da estatal para pagar por serviços de consultoria a Dirceu visando à obtenção de contratos fora do país. Os procuradores alegam que a Engevix repassou R$ 11,8 milhões à JD Consultoria, empresa de Dirceu, por meio de contratos fictícios de prestação de serviços.
“A sociedade de economia mista [Petrobras] na qual se desenvolve há cerca de 12 anos uma cultura de achaque, de conhecimento de seus dirigentes, que dela usufruíam, é hoje tratada como vítima de um esquema criminoso”, apontam os advogados de Almada.
“Trata-se de mais um modus operandi de captação de recursos pelos representantes do Partido dos Trabalhadores, não tendo sua origem na conduta de empresários ou executivos de empreiteiras, os quais jamais poderiam constituir o ‘núcleo primeiro’ dos fatos”, complementam os advogados do ex-vice-presidente da Engevix.
Histórico
Nesta sua manifestação à Justiça, Almada nega que pagou propina a Dirceu para facilitar a obtenção de contratos na Petrobras e declarou que a Justiça não pode responsabilizar empresários pelo esquema de desvios de recursos na estatal. A defesa de Almada alega que o PT, historicamente, utilizou-se de esquemas de corrupção para manter-se no poder.
Eles citam três exemplos desse modus operandi do PT: o caso Gtech, o mensalão e a própria Operação Lava-Jato. No caso Gtech, Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil no primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva, foi flagrado pedido propina ao bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, para financiar campanhas do PT e PSB no Rio de Janeiro. No mensalão, o ex-ministro José Dirceu foi condenado a 7 anos e 11 meses de prisão pelo crime de corrupção ativa. E na Lava-Jato, Vaccari, ex-tesoureiro do PT, já foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisão por participação no esquema de desvios de recursos da Petrobras.
“Vale recordar que, segundo todas as reportagens da época, Waldomiro Diniz teria sido nomeado ao cargo no Poder Executivo Federal a convite do então ministro da Casa Civil José Dirceu de Oliveira e Silva”, ressalta a defesa de Almada. “Ora, ‘processo político democrático’ só pode consistir no processo eleitoral e/ou no processo legislativo, ambos dependentes da atuação dos agentes políticos. Nesse sentido, são estes os beneficiários e mandantes dos fatos imputados [desvios na Petrobras]”, apontam os advogados do empresário.
A defesa prévia do empresário foi apresentada ao juiz Sérgio Moro na tarde desta terça-feira (13). Os advogados também questionam os processos de delação premiada homologados pela Justiça e classificam a peça de acusação do MPF como inconsistente.
Fonte: Fato Online




