Início Distrito Federal Quitar as pedaladas poderá dar fôlego para bancos públicos turbinarem crédito

Quitar as pedaladas poderá dar fôlego para bancos públicos turbinarem crédito

Assumir um deficit de cerca de R$ 80 bilhões em 2015 para pagar dívidas dos anos anteriores, sobretudo com o BNDES, pode gerar caixa para novos empréstimos, sem redução da dívida bruta.

O debate atual da equipe econômica sobre o tamanho do rombo nas contas do governo federal em 2015 traz junto uma questão que vai além da pura e simples escolha de zerar os débitos atrasados de uma única vez e entrar 2016 com as famosas pedaladas fiscais zeradas ou se livrar desse passivo aos poucos.

Uma questão que se coloca aos ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, que conduzem essa discussão, é se a medida poderá abrir una brecha para dar fôlego aos bancos públicos emprestarem mais. Isso, sobretudo, no BNDES, que é o grande financiador da agenda de concessões oficiais e hoje está sem caixa para aumentar sua atuação, como fez no passado recente.

 

Boa parte da dívida do Tesouro que popularmente foi apelidada de “pedaladas” é referente a subsídios em operações de financiamento dos bancos oficiais, entre eles, de bens de capital, como BNDES. Há também subsídios agrícolas onde o principal agente do mercado é o Banco do Brasil. Além dos programas sociais.

Quitar esse passivo, significa que o Tesouro vai pagar o que deve a essas instituições. Como não tinha recursos, o Tesouro fez reverência com o chapéu alheio. Os bancos honraram os pagamentos com recursos próprios que, agora, querem de volta. Na prática, se receberem o que lhe é devido ficarão com mais recursos em caixa, justamente num momento em que não tem tanto assim disponível para operar.

Serventia do rombo

E, aí, a forma com usarão o dinheiro fará a diferença. Se esse extra no caixa for usado, por exemplo, para o BNDES quitar os empréstimos que, desde 2009, o Tesouro injetou no banco numa forma disfarçada de capitalização, o efeito final dever ser contracionista e com impacto positivo sobre a a dívida bruta.

No entanto, se ao invés desse “encontro de contas”, os bancos oficiais usarem “as despedaladas” do Tesouro para engordar o caixa e emprestar mais, o governo pode se ver diante da situação em que o deficit fiscal astronômico, que pode ser de cerca de R$ 80 bilhões, será pura e simplesmente expansionista, sem redução do endividamento público. Com isso, a equipe econômica corre o risco de reconhecer o prejuízo, entrar para história como um dos maiores deficits registrados e, ao invés de algum benefício, aumentar as desconfianças e ser bombardeada e criticada por todos os lados: dos políticos aos seus pares da economia.

Com o “encontro de contas”, talvez o assunto seja mais palatável para os analistas do mercado financeiro, especialmente, para as agências de avaliação de risco, como a Moody’s, Standard & Poors e Fitch. É sempre bom não esquecer que o Brasil está no limite de perder o selo de bom pagador concedido por essas agências e que, na prática, se traduz em atração de investidores externos. Além disso, as recentes mudanças nas metas fiscais foram acompanhadas de alta volatilidade nos mercados de câmbio e juros.

Certamente, o debate dentro do governo deve considerar todos os prós e os contra de assumir um deficit maior ou menor. O fato é que com a queda na arrecadarão em função da retração na economia e, também, pela frustração de receitas com concessões e venda de ativos já tornou praticamente impossível economizar este ano até mesmo os R$ 8,7 bilhões previstos (o equivalente 0,15% do PIB). Por isso mesmo, além do tamanho do rombo, é importante considerar a serventia dele.

Fonte: Fato Online