Da redação do Conectado ao Poder
A tarifa do transporte entre o Entorno e o DF deve subir a partir de sábado, em meio a contestações de autoridades locais.

O aumento da tarifa do transporte coletivo na região do Entorno, que atinge aproximadamente 380 mil trabalhadores, é uma realidade que se concretiza a partir deste sábado, dia 23 de agosto. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou um reajuste de 2,91% nas passagens, medida que foi suspensa por seis meses, mas agora passará a valer. O aumento ocorre em um momento de difíceis condições financeiras, principalmente para aqueles que dependem diariamente do transporte para trabalhar no Distrito Federal.
A insatisfação já é visível entre os usuários. Na rodoviária do Plano Piloto, a diarista Reneide de Souza, de 56 anos, expressou sua indignação. “É um absurdo esse aumento. A gente trabalha em Brasília, paga caro, e nem circular tem onde eu moro”, reclamou a diarista, que atualmente gasta R$ 7,70 por viagem.
Pessoas que utilizam múltiplas conduções por dia sentem ainda mais o peso do aumento. As faxineiras Rita de Cássia Silva e Maria Margarida de Paula, que residem em Águas Lindas de Goiás, gastam cerca de R$ 32 por dia apenas com transporte, acumulando mais de R$ 500 por mês. “São quatro ônibus todo dia, ida e volta. É muito caro”, lamentam.
O pedreiro José Marques, de 54 anos, que faz o trajeto da Cidade Ocidental (GO) para Brasília, também se mostrou preocupado. “Gasto por volta de R$ 130 por mês, mas pago caro para voltar em pé. Venho cansado do trabalho e ainda tenho que enfrentar lotação e demora”, relatou.
O impasse acerca do aumento da tarifa já dura meses. O reajuste vinha sendo tratado desde fevereiro, quando foi suspenso diante de negociações para a implementação de um consórcio entre o DF, Goiás e a União, que teria como objetivo subsidiar tarifas e melhorar a qualidade do transporte na região. O secretário de Transporte e Mobilidade do DF, Zeno Gonçalves, enfatizou que a questão de tarifas não pode ser resolvida sem a colaboração federal, alertando que o aumento pode levar à perda de empregos para muitos trabalhadores.
A ANTT, por sua vez, afirmou que a suspensão do aumento foi atendida a pedido do Ministério dos Transportes. No entanto, a avaliação sobre o novo reajuste ainda está em análise pela Diretoria Colegiada da Agência.
O governo de Goiás manifestou-se contra o aumento, considerando-o desproporcional e prejudicial aos trabalhadores da região, que já enfrentam um cenário de serviços precários. O subsecretário de políticas para cidades e transporte, Miguel Angelo Pricinote, reiterou que espera respostas urgentes do governo federal sobre a adesão ao consórcio, essencial para a continuidade das tratativas que visam um modelo de transporte mais justo.
Com a validação do reajuste de 2,91%, algumas das principais linhas de transporte terão seus preços alterados. A linha Águas Lindas-Brasília passará de R$ 10,85 para R$ 11,15; Planaltina de Goiás-Plano Piloto, de R$ 11,05 para R$ 11,35; Valparaíso-Brasília, de R$ 8,90 para cerca de R$ 9,15; Luziânia-Plano Piloto, de R$ 12,15 para R$ 12,50; e Santo Antônio do Descoberto-Taguatinga, de R$ 9,65 para aproximadamente R$ 9,95.
Os novos valores refletem a pressão sobre o orçamento das famílias que dependem do transporte para o deslocamento diário, trazendo preocupações adicionais para um público já vulnerável.





