Início Brasil Câmara aprova medida que permite quitação de dívidas de hospitais com serviços...

Câmara aprova medida que permite quitação de dívidas de hospitais com serviços ao SUS

Da redação do Conectado ao Poder

A nova autorização busca melhorar a prestação de serviços de saúde e reduzir filas no sistema público.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira a Medida Provisória que permite a troca de dívidas de hospitais e clínicas com o governo federal por serviços prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta, que visa amenizar as filas de espera para atendimentos médicos, faz parte do programa Agora Tem Especialistas, iniciativa do governo Lula para fortalecer a saúde pública.

Com 403 votos a favor e apenas 6 contrários, a MP modifica a legislação atual e busca otimizar o atendimento na rede pública, permitindo que operadoras de planos de saúde e instituições privadas abatam suas dívidas em troca de serviços médicos. A medida é considerada uma resposta à crescente demanda por consultas e tratamentos no SUS, onde muitos pacientes enfrentam longas esperas.

O programa inclui também a utilização de carretas para atendimentos móveis, com o objetivo de facilitar o acesso a serviços em regiões remotas e proporcionar mais agilidade nas ações de saúde. A aprovação da MP ocorre em um momento em que o governo tenta acelerar atendimentos e exames para diagnósticos de pacientes, além de realizar mutirões visando reduzir as filas de cirurgias.

A proposta já havia sido anunciada em maio e reformulou o Programa Mais Acesso a Especialistas. O Ministério da Saúde, liderado por Alexandre Padilha, afirmou que é necessário encontrar soluções práticas para o crescente número de pessoas que aguardam atendimento. O governo mobilizou um montante de R$ 16 bilhões para implementar o programa, sendo R$ 4,4 bilhões decorrentes da troca de dívidas de instituições de saúde.

A adoção de um novo modelo, onde a União passa a atuar como contratante direta de serviços em estados e municípios, levanta debates entre gestores de saúde, que temem por uma possível ruptura com os princípios do SUS. Segundo a Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara, essa mudança poderá dificultar o controle dos serviços prestados, uma vez que as mesmas entidades privadas podem ter contratos tanto com o ministério quanto com estados e municípios.

O texto agora segue para votação no Senado até sexta-feira, onde deve ser aprovado para que a medida entre em vigor de forma definitiva.