Da redação do Conectado ao Poder
O deputado Alexandre Ramagem é considerado foragido após ser condenado e sua extradição pode ser solicitada pelo Brasil.

O deputado federal Alexandre Ramagem foi condenado a 16 anos e um mês de prisão em regime fechado por envolvimento em uma trama golpista. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou a execução da pena após Ramagem deixar o Brasil e ser considerado foragido. A decisão ocorreu no dia 25 de novembro de 2025, após a constatação de sua fuga para os Estados Unidos em setembro.
A condenação inclui, além da pena privativa de liberdade, 50 dias-multa por uso indevido da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar adversários políticos e apoiar tentativas de ruptura institucional. Ao deixar o Brasil, Ramagem supostamente atravessou a fronteira de Boa Vista, em Roraima, e está atualmente vivendo em Miami, em um condomínio de luxo, acompanhando sua mulher, Rebeca Ramagem.
A Polícia Federal (PF) investiga a saída do deputado e avalia a possibilidade de colocar seu nome na lista vermelha da Interpol. Isso facilitaria a prisão dele em outros países. Se o governo brasileiro pedir a extradição, o deputado pode ser levado de volta ao Brasil não só para cumprir pena, mas também para o processo judicial em andamento. O Brasil tem um acordo de extradição com os EUA, o que pode ser um trunfo nas negociações.
Em declarações dadas ao programa Conversa Timeline, Ramagem expressou estar “seguro” nos Estados Unidos e alegou ser vítima de “grave perseguição política”, afirmando que sua saída do Brasil foi para não expor suas filhas à prisão.
Recentemente, o STF também determinou a perda do mandato de Ramagem, uma vez que ele está ausente das atividades legislativas e se encontra encarcerado. O artigo 55 da Constituição prevê que um deputado federal pode ter seu mandato cassado por ausência não justificada e, segundo o STF, a execução definitiva da pena impede sua presença nas sessões da Câmara.
Além disso, a Câmara dos Deputados informou que não autorizou atividades oficiais de Ramagem fora do país. Durante seu tempo fora, ele apresentou atestados médicos que buscavam justificar suas ausências, mas isso não foi suficiente diante das circunstâncias legais encontradas.
Ainda em resposta a essa situação, um deputado federal do PT, Reimont Otoni, propôs um projeto de lei que visa impedir que indivíduos com passaporte apreendido consigam deixar o país, numa tentativa de evitar novas fugas como a de Ramagem e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.





