Início Brasil Fronteira entre Brasil e Venezuela vive clima de espera cautelosa

Fronteira entre Brasil e Venezuela vive clima de espera cautelosa


Da redação

Na fronteira entre Venezuela e Brasil, um letreiro com os dizeres “É tempo de lealdade; duvidar é traição” marca o posto venezuelano próximo a Pacaraima (RR). Ali, um cartaz de cerca de 2 metros exibe a foto de Edmundo González, opositor que se declara presidente legítimo da Venezuela, com o aviso “estamos te procurando”. Ele afirma ter vencido o pleito de julho de 2024, cuja oficialização de Nicolás Maduro para um terceiro mandato foi contestada por denúncias de fraude feitas pela oposição e observadores internacionais.

Na última terça-feira, quatro militares das Forças Armadas da Venezuela e duas agentes migratórias fiscalizavam a entrada no país, mas o carro da reportagem não foi parado e imagens do posto não foram permitidas. Cerca de 15 km adiante, em Santa Elena de Uairén, a cidade apresentava comércio ativo e rodoviária lotada, cenário distinto do domingo anterior, quando as ruas estavam quase vazias.

O clima de incerteza política domina a região. Maduro foi capturado pelos EUA após um ataque no sábado (3), enquanto González permanece no exílio. O país é liderado interinamente por Delcy Rodríguez. Entre os venezuelanos na fronteira, especula-se se a queda de Maduro pode ter resultado de uma traição de pessoas próximas, incluindo Delcy e seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional.

No terminal rodoviário de Santa Elena, a presença de pessoas de várias partes da Venezuela sugere possíveis fluxos de migração. Segundo um funcionário local, 90 carros partiram da rodoviária à fronteira nesta terça, porém não há informações precisas sobre o perfil dos passageiros. Na divisa brasileira, o fluxo também existe, mas é menor que em dezembro: segundo a Polícia Federal, foram registrados 259 migrantes de domingo a segunda, frente a uma média de 280/dia no último mês de 2023.

Entre os migrantes está Nestor Urvina, 54, vindo de Puerto la Cruz, a 1.000 km dali. Ele realizou o primeiro registro na Polícia Federal e já iniciou o processo na Operação Acolhida. “Mais um passo. Se Deus quiser, vai dar tudo certo”, declarou.