Início Brasil Com orçamento menor, universidades federais dependem cada vez mais de emendas parlamentares

Com orçamento menor, universidades federais dependem cada vez mais de emendas parlamentares


Da redação

Com a queda do orçamento das universidades federais desde 2014, essas instituições passaram a depender cada vez mais de emendas parlamentares para garantir recursos. Segundo o Observatório do Conhecimento, em 2025, as 69 universidades federais receberam R$ 571 milhões em emendas, o que corresponde a 7,2% dos recursos discricionários, aqueles usados no funcionamento básico das unidades. Em 2014, esse repasse foi de R$ 148 milhões, apenas 0,86% do orçamento corrigido pela inflação.

O orçamento discricionário das universidades federais caiu mais de 50% em uma década, passando de R$ 17,19 bilhões em 2014 para R$ 7,32 bilhões em 2025. Na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, houve novo corte de R$ 488 milhões, deixando as instituições com R$ 6,43 bilhões para manutenção, valor inferior até mesmo ao previsto para 2025 (R$ 6,82 bilhões). Bolsas de permanência estudantil, por exemplo, perderam cerca de R$ 100 milhões.

Enquanto isso, os valores apontados no orçamento federal para emendas parlamentares saltaram de R$ 9,6 bilhões em 2014 para R$ 61 bilhões em 2025. Especificamente para a educação, os repasses do Congresso foram de R$ 306,7 milhões em 2014 para R$ 1,89 bilhão em 2025, sendo a maior parte destinada ao ensino superior.

Letícia Inácio, do Observatório do Conhecimento, ressalta que as emendas são instáveis, dependentes do contexto político e de promessas eleitorais, trazendo imprevisibilidade ao financiamento das universidades. A distribuição desses recursos também é desigual, favorecendo estados como Espírito Santo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, em detrimento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

A reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, alerta: “As emendas são destinadas a projetos específicos, não cobrem custos operacionais”. Ela afirma que “ninguém vive de sobremesa, todos precisamos do feijão com arroz”. Desde 2023, o MEC tem suplementado o orçamento das federais, mas se novos aportes não forem liberados em breve, o funcionamento das instituições poderá ficar comprometido, segundo a Andifes.