Início Eleições Epidemia de feminicídios pressiona Lula e Tarcísio por ações em ano eleitoral

Epidemia de feminicídios pressiona Lula e Tarcísio por ações em ano eleitoral


Da redação

O início de 2024 no Brasil é marcado pela escalada dos feminicídios, conforme retratam casos recentes: Maria Katiane Gomes da Silva morreu após cair do 10º andar em SP, após ser agredida pelo marido, Alex Leandro Bispo, que foi preso; Tainara Souza Santos teve as pernas amputadas e morreu após ser atropelada, com Douglas Alves da Silva detido pelo crime; Karine Braz de Souza desapareceu e meses depois o marido, Alberto Santana Eugenio, confessou tê-la matado e escondido o corpo no Rio de Janeiro.

Diante do aumento de casos, parlamentares pressionam o presidente Lula (PT) a decretar estado de calamidade pública para facilitar a destinação de recursos ao enfrentamento da violência contra mulheres. Deputadas como Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP) protocolaram pedido para o envio da proposta ao Congresso, mas até agora o presidente não decidiu. “Isso me frustra, mas ainda tenho esperanças”, disse Bomfim.

O tema gera embate também em São Paulo, onde a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) planeja reduzir em 20% o orçamento da Secretaria de Políticas para a Mulher, caindo de R$ 38 milhões em 2024 para R$ 30 milhões em 2025. O governo nega redução e afirma que o orçamento final é ampliado durante o ano via emendas e suplementações.

No âmbito federal, o Ministério da Justiça executou apenas 0,1% do orçamento destinado ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios entre março e junho de 2024. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados 1.492 feminicídios no país em 2024, a maior marca desde a criação do crime, com média de quatro assassinatos por dia.

A deputada Carla Morando (PSDB-SP), aliada de Tarcísio, minimiza críticas à gestão paulista, enquanto Bia Kicis (PL-DF), apoiadora de Bolsonaro, defende o armamento das mulheres como resposta à violência. No ano passado, apenas 60% do orçamento previsto para políticas de combate à violência contra a mulher em São Paulo foi efetivamente empenhado.