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Em 2 anos, 3 mil motoristas foram flagrados bêbados ao volante no DF


Da redação

Investigadores e delegados do Distrito Federal enfrentam um cenário constante de autuações na Polícia Civil do DF (PCDF), muitas delas provocadas por casos de embriaguez ao volante. O delegado Marco Antônio Farah de Mesquita, autor do artigo “A roleta russa no asfalto: onde a lei seca falha e a tragédia se repete”, alerta para o crescimento dos flagrantes desse crime na capital. Segundo o estudo, entre 2024 e 2025, o DF registrou cerca de 3 mil prisões em flagrante por embriaguez ao volante, sendo 1.546 em 2024 e 1.524 em 2025, média de quatro casos por dia.

Marco destaca que, diferentemente de outros crimes, a embriaguez no trânsito ainda é vista como “fatalidade”, apesar de ser fruto de uma escolha do condutor. “Precisamos encarar esse flagrante não como uma ocorrência administrativa de plantão, mas como a prevenção de um homicídio. O asfalto não pode continuar sendo o cenário onde o ‘elo da vida’ se quebra por um copo a mais”, afirmou.

O delegado relata que, durante sete anos de plantão nas delegacias, constatou que a questão é estrutural, atingindo todas as regiões administrativas e registrando picos de casos especialmente entre quintas e domingos. O estudo também aponta que não existe padrão de comportamento entre os autuados, variando de réus confessos a resistentes.

Apesar da gravidade, Marco critica a “frouxidão na lei”, que garante o direito à fiança em 100% dos casos, mesmo os graves. Por lei, quem é detido por embriaguez ao volante geralmente responde em liberdade após passar por audiência de custódia em até 48 horas. O delegado defende endurecer critérios para concessão de fiança, avaliando a gravidade do caso e os riscos às vítimas.

Além disso, o artigo sugere adotar políticas educativas punitivas, ressocialização e uso de tecnologias, como Inteligência Artificial, para prevenir crimes e não apenas reprimi-los. “É preciso pensar em outros critérios de fixação e não de fiança”, conclui Marco.