Da redação
O governo do Irã foi acusado de cometer um massacre ao reprimir protestos no país, segundo denúncias da ONG Iran Human Rights, baseada na Noruega. Neste domingo (11), a organização afirmou que ao menos 192 manifestantes morreram nos maiores protestos contra o governo iraniano dos últimos três anos. O número pode ser ainda maior, uma vez que o bloqueio da internet impede a verificação dos dados.
As manifestações, que começaram há duas semanas devido ao aumento do custo de vida, transformaram-se em um movimento contra o regime teocrático vigente desde a Revolução Islâmica de 1979. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu “máxima moderação” e alertou para o uso “desnecessário e desproporcional” da força pelas autoridades iranianas.
Em resposta, o governo do Irã decretou três dias de luto nacional em homenagem aos “mártires”, incluindo membros das forças de segurança mortos nos confrontos, e convocou uma “marcha nacional de resistência” para esta segunda-feira. O presidente Masoud Pezeshkian classificou os opositores como “criminosos terroristas urbanos”, enquanto o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, enfrenta um dos maiores desafios ao seu governo.
O bloqueio total da internet, que já dura mais de 60 horas segundo a Netblocks, dificulta o fluxo de informações. O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI), sediado nos EUA, afirmou que os hospitais estão “sobrecarregados”, faltam estoques de sangue e manifestantes foram baleados nos olhos. A organização reporta que “centenas” podem ter morrido.
As autoridades anunciaram “prisões significativas” de líderes dos protestos, mas não informaram cifras. Enquanto isso, a capital Teerã foi descrita como praticamente paralisada. O filho do xá deposto, Reza Pahlavi, declarou-se pronto a retornar ao Irã para liderar uma “transição” rumo à democracia.






