Da redação
A criadora de conteúdo Isaline Attelly, originária da Martinica, descobriu no ano passado que sua bisavó materna nasceu no atual Benin e foi traficada para o Caribe durante o auge da escravidão transatlântica. Ela morava no país africano há quase um ano quando registros genealógicos confirmaram sua ancestralidade beninense.
A descoberta levou Attelly, de 28 anos, a participar do programa My Afro Origins (Minhas Origens Afro), iniciativa do governo do Benin que concede cidadania a descendentes de africanos. O projeto faz parte dos esforços do presidente Patrice Talon para valorizar a história do país e atrair turistas, ressaltando o papel do Benin no tráfico transatlântico de escravizados.
Na cerimônia de naturalização, Attelly declarou à Reuters: “Para mim, é uma fonte de orgulho. Parece que minha jornada completou o círculo. Estou orgulhosa e muito feliz por poder representar meus ancestrais”.
As primeiras naturalizações coincidiram com o anúncio de projetos históricos, como a construção de uma nova Porta sem Retorno em Ouidah e a réplica de um navio do século 18 — ambos ainda em andamento. O governo também planeja inaugurar, ainda este ano, o Museu Internacional da Memória e da Escravidão na antiga casa do traficante Francisco Felix de Souza.
Celebridades como o cineasta Spike Lee, nomeado embaixador do programa, incentivam o retorno das diásporas ao país. Em julho de 2025, a cantora Ciara tornou-se uma das primeiras beneficiárias da cidadania beninense, apresentando-se em Ouidah durante um festival anual. Russell Wilson, seu marido, manifestou desejo de também obter a cidadania “muito em breve”.






