Da redação
Nesta terça-feira (30), o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, afirmou que o mundo possui as ferramentas necessárias para eliminar o câncer do colo do útero, durante o mês dedicado à conscientização sobre a doença. Em entrevista à ONU News, Luisa Lina Villa, diretora do Laboratório de Inovação do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, destacou que, apesar de existirem vacinas, testes e tratamentos, o número de mortes permanece elevado.
Segundo Villa, o câncer de colo do útero ainda mata muitas mulheres jovens, frequentemente entre 40 e 45 anos, principalmente em países menos desenvolvidos. São registradas, anualmente, pelo menos 300 mil mortes por uma doença que pode ser prevenida. No Brasil, a situação é preocupante: são cerca de 17 mil novos casos por ano, com incidência de 17,18 por 100 mil mulheres, três vezes maior que em países desenvolvidos.
O câncer está associado, em quase todos os casos, à infecção por tipos de alto risco do vírus HPV. Villa, pesquisadora há mais de 40 anos e participante dos ensaios clínicos da vacina, afirma que a imunização é altamente eficaz em impedir infecções, doenças e mortes. A vacina é indicada antes da exposição ao vírus, sendo priorizada para crianças e adolescentes, além de populações de risco.
No entanto, a especialista alerta para a queda na cobertura vacinal devido à desinformação sobre eventos adversos não relacionados à vacina. Ela defende investimento em comunicação para traduzir conhecimento científico à população e ampliar a aceitação da vacinação.
Por fim, Villa enfatiza que o rastreamento do câncer do colo do útero é essencial, pois a doença é facilmente tratável em estágios iniciais. Ela pede que todos os países sigam as recomendações da OMS para garantir vacinação ampla e rastreamento efetivo. Atualmente, 162 países incluem a vacina contra o HPV em seus programas nacionais de imunização.






