Da redação
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, foi quem iniciou uma ligação telefônica com o diretor Kleber Mendonça Filho e o ator Wagner Moura, protagonistas do longa “O Agente Secreto”, para celebrar a vitória no Globo de Ouro, onde o filme recebeu os prêmios de melhor filme em língua não inglesa e melhor ator de drama, no início deste mês. Durante a chamada, gravada e publicada nas redes sociais do governo, o presidente Lula prometeu mais políticas para o audiovisual. Mendonça Filho destacou o financiamento público recebido pela produção.
Com a repercussão internacional dos prêmios, o Planalto busca reforçar a importância dos investimentos em cultura e tenta se diferenciar da gestão de Jair Bolsonaro, que havia reduzido recursos ao setor. “A lógica é o Brasil voltou”, resume Mariana Bonjour, consultora de marketing político. De acordo com especialistas, há uma campanha paralela do governo, capitaneada pelo ministro-chefe da Secom, Sidônio Palmeira, para valorizar as conquistas recentes do cinema nacional.
“O Agente Secreto” ambienta-se no Recife da ditadura militar e teve trajetória premiada, iniciada em Cannes. Com orçamento de R$ 28 milhões, o filme contou com R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). O fundo, operado pela Ancine e mantido por meio da Condecine, voltou a liberar mais recursos desde a eleição de Lula em 2022, após contingenciamento no governo Bolsonaro, que chegou a bloquear 43% do FSA em 2019.
No mesmo sentido, “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar e do Globo de Ouro em 2025, foi produzido com recursos privados. O governo sancionou ainda a lei de cota de tela para produções nacionais até 2033 e promoveu aporte de R$ 1,6 bilhão ao audiovisual. Apesar dos investimentos, especialistas avaliam que há desconhecimento sobre os impactos dessas políticas e que o retorno eleitoral para o PT deve ser limitado.
O setor enfrenta desafios, como a falta de planejamento sistêmico e a indefinição do PL do Streaming, cuja votação foi adiada no Congresso. O ator Wagner Moura se posicionou contra a proposta de taxação de 4% sobre plataformas estrangeiras. “As políticas desse governo são mais favoráveis, mas qualquer medida pode ser questionada”, afirma o professor Marcelo Ikeda, da UFC.






