Da redação
A implementação do Sistema Integrado de Segurança Pública (SISP) pelo governo Cláudio Castro provocou uma crise com a Polícia Civil do Rio de Janeiro. A tensão começou durante a elaboração do decreto que criou o SISP, em julho de 2025, sem participação da corporação encarregada das investigações criminais.
Segundo relatos, o texto do decreto foi formulado integralmente pela Secretaria de Segurança Pública, sem o envolvimento da Secretaria de Polícia Civil. Em resposta, a Polícia Civil propôs um texto alternativo, defendendo a manutenção do controle dos dados investigativos pelas instituições de origem e sugerindo proteção adicional a informações sigilosas e processos em curso, mas a sugestão foi rejeitada.
Delegados criticam a centralização, alegando que a medida amplia a interferência política sobre dados sensíveis e compromete a autonomia da polícia judiciária. O prazo para migração dos bancos de dados do SISP, de 180 dias, terminou no início de 2026, e o sistema está em fase de implementação.
O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado do Rio de Janeiro entrou na Justiça questionando o sistema e apontando riscos institucionais e de interferência política nas investigações. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública garantiu que o SISP não retira da Polícia Civil a condução das investigações nem o controle sobre dados sigilosos.
A Secretaria também afirmou que o SISP integra apenas informações estratégicas e estatísticas, sem acesso irrestrito a dados protegidos por sigilo, e que sua implantação é gradual e técnica, respeitando protocolos de segurança. Acrescentou que acompanha a ação judicial e reafirma o respeito à legislação e à autonomia da Polícia Civil.






