Da redação
O governo brasileiro ainda analisa o convite feito pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o chamado Conselho de Paz. As primeiras avaliações do documento enviado pela Casa Branca revelam que a proposta diverge da tradição diplomática do Brasil e das convicções do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto à importância de organismos multilaterais, como a ONU.
Uma das principais críticas é a concentração de poder nas mãos de Trump. De acordo com o texto americano, os países participantes não poderiam sugerir mudanças no funcionamento do conselho. “É como comprar um pacote fechado”, afirmou um integrante da diplomacia brasileira sob anonimato. Não há prazo definido para resposta, e Lula, apesar de ainda não ter respondido oficialmente, tem indicado que não pretende aceitar o convite.
O governo brasileiro também avaliou que o lançamento do conselho durante o Fórum Econômico de Davos, na Suíça, teve caráter “improvisado”, transmitindo impressão de “fragilidade” à articulação internacional. Outro ponto de preocupação é o alcance do conselho, que, segundo diplomatas, não se limitaria à crise na Faixa de Gaza e poderia substituir o Conselho de Segurança da ONU em outros conflitos.
A proposta americana, segundo Brasília, pode inclusive reacender o debate internacional sobre a reforma de organismos globais, tema antigo do Brasil, que busca um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Lula tem conversado sobre o assunto com líderes como Recep Erdogan (Turquia), Narendra Modi (Índia), Mahmoud Abbas (Autoridade Palestina) e Xi Jinping (China), mas o Planalto nega qualquer articulação conjunta de resposta a Trump.
Nesta sexta-feira (23), durante evento do MST em Salvador, Lula criticou Trump, acusando-o de querer ser “o dono da ONU”. Segundo Lula, “o multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo” e a proposta americana representa um retrocesso. O presidente brasileiro também se disse “indignado” com a operação militar dos EUA na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro.






